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Angola eie u umvama ni kiximbi!
Angola tu és rica e poderosa

Não haveria outra forma de iniciar se não fosse com uma de suas frases. Escolhi a que expressa o seu amor e dedicação ao Angola, pois a partir desta referência é possível falar de Mam´etu Maza Kessy. Isto não quer dizer que seja uma tarefa fácil. Como condensar uma trajetória espiritual de mais de 40 anos construída com muita dignidade. Meu sobrinho Oluandeji, responsável por este Blog me pediu que falasse a respeito. Tive receio, por haver dentro de nossa família, irmãos que tenham mais propriedade, ou que a acompanham há mais tempo que eu. Presenciaram e viveram muitos dos momentos que serão falados neste texto. Entretanto, o carinho, o respeito e o amor que tenho por minha Mam´etu Maza Kessy fizeram-me decidir encarar essa empreitada.

 

Após a morte de seu zelador, conheceu Mam´etu Sisimi (filha do fundador da raiz Kupapa Unsaba – Bate-folha RJ). E duas histórias estão entrelaçadas e começaram a ocorrer paralelamente. A de Mam´etu como filha, e a de zeladora. A partir deste relacionamento de amizade que construiu, continuou a zelar de seu Nkisi com Mam´etu Sisimi, aplicando o que aprendeu no Kongo/Angola. Mam’etu Sisimi veio a kufa e nos ritos fúnebres, conheceu a irmã de santo de sua mãe, Mam’etu Mabeji, herdeira e matriarca da raiz Kupapa Unsaba (RJ).

E porque continuar no Angola, mesmo tendo inúmeras amizades de povos de outras nações? Como Pai Bobó. Mas muitos angoleiros estiveram presentes em sua vida como Maza Kele, Paulo Mutaua. Tiveram um convívio muito próximo. Entretanto, outra vez lançou mão de uma de suas frases para responder a essa pergunta: Kuxi anga ku maulu,eme ngi NGOLA katé kufua! (Na terra ou nos céus, eu sou ANGOLA até morrer!)

E mediante essa situação, de ter certeza que sua energia pertencia ao Angola, prosseguiu tomando obrigação com Mam´etu Mabeji. Minha avó veio até São Paulo, precisamente para Santos, onde o Nzo está localizado. Confirmou cargos: tumbondo e makota. Fez kizua dijina de Muzenzas. E kituminu de sete anos de suas irmãs carnal. Os laços foram estreitados, o convívio freqüente. Permanecendo sob os cuidados de Mam´etu Mabeji até os dias de hoje.

Enquanto isso, a roça de candomblé foi crescendo: O Nzo Ndandalunda, na Luiza Macuco (onde neste cantinho se cultua o Kongo/Angola). Muitos são os filhos iniciados, logo, netos, bisnetos. E há também os que não nasceram através de suas mãos, tomaram obrigação, mas ela não faz distinção: todos são filhos. São seus descendentes.

Quem pode estar mais próximo de Mam´etu Maza Kessy, participar, sentir o quanto a energia aflora dentro dela. A maneira como ela consegue despertar, invocar. O quanto é mágico quando ela está louvando ou realizando os ritos mais secretos para as divindades. A emoção toma conta e nos marca. Há muita vida. Felicidade.

Alguns desses momentos me marcaram profundamente e tenho certeza que também a família Maza Kessy: os meus irmãos.

E a roça de candomblé na Luiza Macuco vem se renovando: um filho que traz sua família carnal. E com isso outras gerações passaram a acompanhá-la, permaneceram, iniciaram-se. A tribo é familiar, no sentido literal. Pois, um pai e uma mãe só levam os seus a freqüentar o que consideram bom. Nesse ambiente Mam´etu Maza Kessy foi construindo, zelando por sua família espiritual.

Muito antenada com as novas tecnologias, sempre a frente, se intera dos assuntos que estão sendo discutidos na web. Participa das redes sociais e essa atitude nos impressiona pela facilidade em aprender, está sempre atenta.

Esta trajetória de Mam´etu Maza Kessy ainda está sendo escrita. Por essa razão, não há como finalizá-la nesse texto. Quero expressar o quanto somos gratos e o quanto é importante para nossas vidas. Deixarei apenas o meu pedido de makuiu e uma de suas frases. Nzambi amuike o jinjila jetu, tu bane kisangela, kitululuku ni kuijia ( Nzambi ilumine nossos caminhos, nos dê união, paz e sabedoria

Tat´etu Kitalunde
Dirigente do Uene Ndandalunda – Itapevi – SP
Filho de Mam´etu Maza Kessy

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