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Acabamos de ser informados do falecimento do Tateto Mazinho do Boiadeiro, de Sepetiba, um dos mais antigos babalorixás em atividade no Rio de Janeiro. Em particular, Mazinho do Boiadeira era pai carnal de minha esposa, Suzane Oni Iyemonjá Aty Oyá

Ao falecer com mais de 80 anos e mais de 60 de iniciado, ele deixa ancestrais espirituais e carnais para continuar sua história. A ele nossas homenagens e nossos respeitos.

Por Márcio Alexandre M. Gualberto

Conhecido como MAZINHO DO BOAIDEIRO, nome que recebeu ainda nos anos 70, quando foi considerado pela mídia como um dos sete zeladores mais importantes do Rio de Janeiro, juntamente com José Ribeiro, João da Gomeia, Olegário, Rufino, Manulagêe Biolê), de antigos amigos e irmãos de fé na Nação de Angola, no Candomblé, que quando queriam identificá-lo para outras pessoas diziam: “É o Osmarzinho, aquele que tem aquele Boiadeiro que dança lindo”, e com o passar do tempo acabou virando Mazinho do Boiadeiro, deixando de usar inclusive a sua digina.

Tinha fama de “filho do diabo” e de bruxo, Mazinho explica; “Quando comecei com a casa em 1948 era tudo muito difícil, havia muitas perseguições e depois de muito apanhar, um certo policial me obrigou a confessar que era filho do diabo, e aí, a imprensa tacou na capa dos jornais e revistas, -”Bruxo filho do diabo é preso em Piedade”. Meu Deus do céu, eu nem acredito no diabo, eu sou um religioso e só fiz ajudar as pessoas. Nunca busquei aparecer, se fui considerado entre os mais importantes da época e hoje recebo o reconhecimento de vocês, é porque trabalhei muito e continuo dando a minha contribuição na religião. Acabei deixando o meu trabalho profissional de lado e só me dediquei ao Orixá.

Sua trajetória de compositor de cantigas de Umbanda e Candomblé, ele afirmava: “São mais de 500 composições, acho que mais de 15 gravações, quando era difícil fazer uma. 

O pai de 21 filhos carnais e mais de cem iniciados na religião, faz uma reflexão de sua trajetória, e afirma: “Não aceito esta demonização que querem atribuir a nossa religião, o que fazemos é louvar a Deus dentro do que aprendemos e com os nossos preceitos. Minhas canções para Exú e Pombagira, são falando de amor, energia boa e sucesso…. Quem viveu tudo que eu vivi e assisti outros amigos passarem, fica um pouco decepcionado com algumas pessoas que fazem negócio e não religião. É lógico que tem gente séria e respeitadora das tradições e fundamentos do Candomblé. ..Antigamente quando alguém reclamava de um zelador (a), ia-se a casa do mesmo (a) e esclarecia tudo dentro do preceito religioso… Mas minha fé não muda, meu respeito e gratidão a todas as divindades e em especial ao Caboclo Boiadeiro e ao Seu Tiriri é o mesma… Há quase vinte e cinco anos escolhi viver e ter minha casa religiosa aqui em Sepetiba e ganhei muitos amigos na religião e no bairro… Sou um homem simples e quero ainda poder ajudar…”, afirmava Mazinho.

(Trechos da reportagem realizada em Junho/2011 – Real Noticias)

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