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Jongo, também conhecido como caxambu ou tambu, é uma dança e um gênero poético-musical característico de comunidades negras de zonas rurais e da periferia de cidades do sudeste do Brasil. Praticado sobretudo como diversão, mas comportando também aspectos religiosos, o jongo originou-se das danças realizadas pelos escravos nas plantações de café do Vale do paraíba, nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, e também em fazendas de Minas gerais e Espírito Santo. O Jongo faz parte de um amplo grupo de danças afro-brasileiras (exemplo: Batuque, Candombe, Tambor de criola, o Zambê, etc.). Existem elementos em comum como o uso de 2 ou mais tambores, feitos de troncos de árvores escavados, cobertos de couro em uma das extremidades, afinados com o fogo; o estilo vocal composto por frases curtas cantadas por um solista e repetidas ou respondidas pelo coro; uma linguagem poética metafórica e a presença da umbigada, elemento coreográfico característico em que 2 dançarinos aproximam o ventre. Esses elementos possuem laços com as práticas culturais dos ionpovos bantu da África central e meridional, de onde veio a maioria dos escravos que trabalhavam nas fazendas do Sudeste do Brasil.JongosComo já foi citado acima o Jongo não é só dança, mas também cantigas, conhecidas como pontos.

Os jongos ou pontos são cantados em português, mas frequentemente aparecem palavras e expressões de origem bantu (exemplo: cangoma, angoma, cacunda). Formado por versos curtos os pontos são tirados ou jogados ou iniciados por um participante e respondidos pelo coro por alguns minutos até que um dos presentes ponha a mão sobre os tambores e grite “machado!” ou “cachoeira!”, para que um novo ponto seja iniciado. No decorrer da noite os pontos desempenham várias funções diferentes, para animar a dança (pontos de visaria ou bizarria), para saudar pessoas ou entidades espirituais (pontos de louvação), para desafair outro jongueiro por meio de adivinha a ser decifrada (pontos de demanda, gurumenda ou porfia), ou para encerrar o jongo (pontos de despedida).
A característica central é a linguagem da poética metáfora para transmitir uma mensagem ou enigma a ser decifrado ou, no linguajar dos jongueiros, desatados pelos participantes. Muitas vezes os pontos são difíceis de decifrar pelos não-escravos. Isso permitia que o jongo fosse usado pelos escravos como crônicas da vida no cativeiro, como destaca Stein:

O caxambu era uma oportunidade de se cultivar o comentário irônico, hábil, frequentemente cínico, acerca da sociedade dentro da qual os escravos constituíam um segmento tão importante (…) Dentro desse contexto, os jongos eram canções de protesto, reprimidas mas de resistência.

Outros recursos estilísticos usados pelos jongueiros baseia-se fortemente na tradição coletiva, sem falar nos muitos pontos que se difundiram no tempo e no espaço.

Tava dormindo cangoma me chamou
Levanta povo que o cativeiro já acabou
Tava dormindo cangoma me chamou
Levanta povo que o cativeiro já acabou

*O livro-CD Memória do Jongo – As Gravações Históricas de Stanley J. Stein – Vassouras, 1949, de autoria de Silvia Hunold Lara e Gustavo Pacheco, livro que se baseia numa perspectiva histórca e sociológica que contraria a visão dos viajantes e folcloristas da época. Foi lançado na noite deste sábado, 31 de maio, no Rio de Janeiro. O projeto foi realizado pela Fundação de Desenvolvimento da Universidade de Campinas (Unicamp), com patrocínio da Petrobras e apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet.

Jongo do Sudeste – Uma das mais importantes manifestações da cultura afro-brasileira trazida pelos escravos da região Congo-Angola, que floresceu e se desenvolveu no Sudeste do Brasil em meados do Século XIX. O Jongo do Sudeste envolve canto, dança e percussão de tambores e também é conhecido por tambu, tambor e caxambu, entre os praticantes. Reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial, em 2005, foi inscrito no Livro de Registro das Formas de Expressão. Leia mais. Leia mais.

– Resumo realizado pela Professora Marcia Fonseca (Pesquisadora do GRIOT e professora na rede pública de Cabo Frio)

Fonte: Coletivo GRIOT
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