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Oluandeji:- Makuiu, em primeiro lugar estamos juntos na luta, por favor, se apresente aos nossos leitores para que todos possam conhecer melhor suas histórias.

Érico Lustosa:- Grande e nobre Oluandeji Nkosi. Mukuiú Nzambi. Primeiramente, desculpe-me pela demora em te responder. É que, além dos atropelos causados pelo nosso “intempestivo protesto”, ainda preciso lidar com a conclusão de minha dissertação em Ciências da Religião pela UNICAP que (atrasada) deve ser defendida agora em agosto (2012), cuja temática é Exu: um processo de demonização. Bem, meu caro, TENTAREI ser o mais conciso possível. Veja só, nasci num 21 de Janeiro em 1964, numa família originalmente de confissão Protestante Presbiteriana. Minha mãe rompeu com essa “linhagem” ao precisar procurar uma “casa dessas coisas”, como eles diziam e eu ouço até hoje inclusive pela boca das pessoas do axé! Dona Myrza, minha mãe, se deu bem no que pretendia e foi muito reconhecida à Casa que a ajudara. O Sacerdote, porém e lamentavelmente, era um explorador da boa-fé e da confiança dos m ais vulneráveis. Daí que ele se afeiçoou por um rapazinho do Terreiro e o forçou a tornar-se seu amante. Isso no início da década de 70. Minha mãe, em razão de tal, decidiu se afastar da Casa. Até então, a despeito da orientação Protestante de minha família, ele gozava de livre-trânsito e boa receptividade em nossa residência. Logo às coisas começaram a dar errado para todos os integrantes da família. Minha mãe teria se indignado e o procurado em sua Casa. Ele a ameaçara dizendo que só sossegaria quando destruísse todos da nossa família. Eu, a essa altura com seis anos de idade, de nada disso sabia. Nem poderia. Finalmente, veio a se dá que num determinado encontro em razão da visitas de alguns amigos da família, aconteceu comigo uma fortíssima e agressiva manifestação mediúnica, que durou das 13h00minh da tarde às 02h00min da madrugada, onde despertei numa Casa de Umbanda (Cabocla Tupyara de D. Maria José Na Rua da Palha, próximo à Sé de Olinda – PE) onde permaneci em tratamento e desenvolvimento até os dez anos e sob os vigilantes olhares de meus irmãos e mãe, uma vez que ela era desquitada. Ao fim dos meus dez anos conheci, através de um amigo meu (cuja mãe era ligada ao Candomblé), o Sr Milton Paulo Cezar de Aguiar (Milton de Xorokê), com quem dei início ao meu processo de Yaô. Esse tempo coincidiu com a morte de minha avó, que era sem dúvida alguma a pessoa mais religiosa e lúcida da família. Tanto que ela era quem me apoiava em tudo! Depois ainda teve quem dissesse que ela havia morrido de desgosto por minha causa! Ouvir isso aos quase onze anos de idade, não é fácil. Porém, como dá para se ver nas minhas expressões, sempre tive uma personalidade muito forte e marcante, o que me valeu para poder seguir meu caminho mesmo contrariando as “tradições Protestantes da família”; comecei a aprender com ele, e esse processo durou por quatro anos, até quando ele cufou. Durante sua vida, na convivência de todos, ele dizia que o Vodum dele era igual ao meu e que o Òpelè havia dito que eu ainda seria seu sucessor. Alguns antigos do Ilè não gostaram muito dos seus dizeres. Quando o inevitável se deu, com quase quinze anos de idade, me vi praticamente sozinho. Nem seu sacudimento e Axèxè puderam ser feitos como mandam os preceitos da Tradição. Depois de muito penar, fui à Bahia sozinho e sem dinheiro algum (pois por aqui não encontrei guarida por ser branco e, à época, isso era quase inaceitável); lá, por um puro acaso que só entende quem é do Axé, conheci a Roça da Mãe Almerinda da Dolu. Ela, com recursos dos próprios bolsos e ajuda de alguns filhos da Casa, fez o restante das minhas obrigações. Quando retornei, a Casa do Santo que eu havia deixado, já havia sido tomada de posse de para moradia de um dos seus membros e…, nunca mais veio a se tornar Casa de Axé outra vez! Comecei a dar reuniões nas casas das pessoas que eram simpatizantes. A essa altura minha família radicalizou e decretou que ou eu seguiria a religião deles ou “a serventia da casa era a porta da rua”! Enfrentei e fui para rua. Mas não demorou e eles mandaram a Polícia na casa de quem me apoiava. Resultado, tive que voltar e fui praticamente obrigado a frequentar a fé Protestante na denominação Batista (em Jardim Brasil, um dos Bairros de Olinda PE). Lá me convenceram que para quem queria conhecer a Deus, estudá-lo teologicamente antes de qualquer decisão de vida seria o mais prudente. E foi o que fiz. Ingressei no Seminário Teológico Batista Bíblico do Nordeste. Todavia, sempre que o assunto era mediunidade e manifestação demoníaca em outras religiões, eu me levantava contra, provando que a bíblia encontrava-se cheia de exemplos das chamadas manifestações mediúnicas. Como resultado disso, fui expulso do curso faltando apenas três meses para a minha conclusão. Ocorre, contudo, que o pessoal da Igreja tinha grande afeição por mim e…, decidiram pedir minha Ordenação Ministerial mesmo a contragosto dos representantes da tal Convenção Batista. E como a Igreja é autônoma, fui ordenado Pastor. Na verdade à época, o mais jovem do Brasil: ao final dos meus dezenove anos! Fiz missões em várias partes do País (inclusive no meio dos índios (na Aldeia do Galego, Baia da Traição – Mamanguape PB) Até que assumi uma Igreja em Tambaú JP. Lá permaneci por quase três anos. Todo o patrimônio da Igreja achava-se no nome duma sociedade criada pelo Pastor meu predecessor. Nesta Igreja, dentro outros proeminentes, eram membros o Desembargador do Estado bem como sua esposa que, de sua feita era a Procuradora. Ocorre que o antigo Pastor nos processou por fraude (olhe que a fraude foi colocar o patrimônio da Igreja no nome da Igreja)! O Caso foi arquivado por ter sido julgado como denúncia vazia, isto é, improcedente a denúncia, e foi aberta a possibilidade de nós o processarmos. Por orientação minha, a Igreja declinou de tal. Começamos a estudar a bíblia à luz da bíblia – isso no tocante às manifestações mediúnicas, reencarnações, a presença citada com honra da divindade Dan no velho testamento e assuntos correlatos e etc… Aí meu inferno recomeçou! Tinha um sujeito lá (incrivelmente por nome de Milton) que já havia sido preso por ordem do desembargador por haver ESPANCADO a esposa (Guaraciara) por algumas vezes. Como eu era solteiro e quem morava comigo era um primo meu, esse rapaz (o meu segundo Milton) juntou-se com o antigo Pastor e começaram uma campanha difamatória denunciando-me como homossexual. Olha meu caro, não houve sequer uma semana de questionamento até que eu fosse literalmente enxotado da Igreja com meu primo e o tal rapaz (espaçador da esposa) assumiu a Igreja no outro domingo. O Desembargador saiu em protesto pelo fato e se tornou Kardecista. Retornei para casa de minha mãe aqui e m Olinda – PE. Foi quando fui convidado a assumir o pastorado da Igreja Batista de Olinda, uma vez que lá o Pastor de então se encontrava em verdadeira guerra com os jovens da ala inovadora. Aceitei. A essa altura estava ao fim dos meus vinte e três anos. Como “pesava” sobre mim o “suspeito histórico”, começaram a me pressionar para que eu casasse com uma jovem que eu quase nem conhecia. Aceitei porque o racha na Igreja já estava quase que incontornável, uma vez que o Pastor mais antigo estava me mantendo lá sendo sacerdote solteiro. Mas acontece que o problema era outro: o fato era que durante a ditadura militar esse Pastor havia sido (arg) ouvidor do SNI e um dos membros da Igreja (na época em que lá cheguei ele estava como gerente de um grande banco) havia sido “ouvido” por esse tal Pastor do SNI por ter sido reconhecido como membro da militância de esquerda! Olha, meu querido, isso foi um pandemônio que ninguém pode imaginar. E daí que houve outros e outros agravantes que se eu começar a falar aqui, nem todos os arquivos do Word caberiam! O fato é que esse tal membro da Igreja, juntamente com uma comissão, veio me propor uma aliança para que eu ficasse com o pastorado sozinho, em troca de que depusesse sob a acusação de desvio financeiro e de conduta cristã contra o tal Pastor que me convidara. Não o fiz. Antes protestei ao tal Pastor todo meu apoio e dos jovens que em mim acreditavam. Daí, para pensar melhor, acabei o noivado. A menina literalmente enlouqueceu: passou quase quatro semanas sem falar, comer beber e andar. Novamente uma comissão. Tive que renovar a relação em nome da “boa ordem familiar da Igreja”. Casei. Engravidei a minha esposa e aí estava provado que eu era homem! Meu irmão pense numa verdadeira babaquice!! Quando meu filho completou um ano, o Pastor que eu havia apoiado, temeroso pela crescente aprovação de meu nome junto aos demais, começou a me perseguir. Minha esposa fora acometida pela síndrome pós-parto. Disseram que eu a havia enlouquecido porque um dia havia sido possuído pelos demônios, e por eu ainda ensinar que os espíritos que incorporam mediunicamente não serem também demônios. Outro inferno. Invadiram minha casa e retiraram de lá o meu filho, que estava com uma babá, pois eu tinha que trabalhar. Passei um ano sendo privado pela família dela de vê-lo. Minha família acreditava que tudo era castigo de Deus e, por isso, nunca me ajudaram. Delegados, outros Pastores…, ninguém queria colocar as mãos no assunto! Aí comecei a me reconciliar com as práticas de minha fé original! Minha esposa melhorou, fugiu da casa da mãe e trouxe meu filho que eles já estavam querendo trocar o nome para que quando grande ele não passasse pela vergonha de ser reconhecido como alguém de minha linhagem. Ficamos juntos. Reabri o Terreiro e comecei a praticar os meus xirès mesmo na casa pastoral que ainda ocupava por direito. Daí eles invadiram a casa e tentaram nos colocar para fora durante a reunião. Seu Zé Pelintra (que como sabemos não é de brincadeira) os colocou para correr às bengaladas! Tal matéria, remontando a aproximadamente 1985/86 saiu inclusive no Diário de Pernambuco. Fui colocado para fora por uma ordem de reintegração de posse (o detalhe é que a reintegração, nesse caso, só é cabível até um ano e um dia e eu tinha muito mais que esse tempo só caberia uma ação de despejo que levaria anos. A reintegração saiu com 48 horas). Saí “sem lenço e sem documento” com “uma criança de colo e outra de bucho”, como se diz por aqui. Depois de dormirmos nas ruas, consegui vir para a nova casa (onde hoje é o Ilê Obé Tògún) e continuei minha vida. Além do meu filho, tive uma filha com ela. Como a situação da minha esposa era (e é) de ordem completamente patológica hereditária, ela ainda enlouqueceu mais umas dez vezes em períodos que variavam e alternavam de seis meses a dois anos. Por fim nos separamos. Outro inferno, pois a obsessão dela foi mais cruel que tudo! Meus filhos com ela foram embora (depois soube que ele trocou de nome sem que eu sequer fosse judicialmente citado). Olha meu irmão, de estuprador, molestador, toxicômano, espaçador e tudo que você puder imaginar, fui acusado. Graças a Exu meu pai, todos os inquéritos abertos e relatórios de Psicólogos, Peritos e do próprio Conselho Tutelar, foram-me indiscutivelmente favoráveis! Dando-me inclusive a tutela da criação deles dois. Durante esse tempo tive que passar por duas sérias intervenções cirúrgicas no coração. Foi quando eles (meus filhos) resolveram fugir para a companhia da mãe, pois, apesar de terem sido criados na nossa fé por dez anos, a partir das visitas que faziam aos avós e à Igreja, desenvolveram um estranho e horrendo medo dos “demônios” com os quais eu trabalhava; decidi que essa luta eles teriam que resolver e vence r por eles mesmos. Hoje estão ele com vinte e seis anos, e ela com vinte e dois. Ano passado, durante uma aula no Mestrado que estou concluindo, tive um AVC e um Infarto cerebral e (apesar de eu nunca haver me furtado a participar como pai financeira e moralmente) nem sequer recebi um único telefonema de ambos para saber de minha saúde. Passei vinte e sete dias no hospital sendo treze de UTI. Tenho outro filho que criei desde criança (antes mesmo dos biológicos), que lamentavelmente se envolveu com companhias muito más e hoje se encontra preso; e tenho esse outro (Eduardo Lustosa) que tive por fora do casamento, que é quem me acompanha e é que está sendo preparado para dar continuidade à Rama do Ilè Obé Tògún (na verdade já foi consagrado ao Sacerdócio). Entende agora, Oluandeji Nkosi, mais ou menos, o porquê de minha repulsa tão intensa frente àquele vilipêndio de religiosos ditos cristãos? Hoje eu não procuro, nem sou procura do por meus outros filhos, pois estão fora da idade de pensão (quando havia ainda essa responsabilidade, ainda recebia e-mail formal de advogados ou deles mesmo, me corando. Hoje nem isso). Hoje estou exaurido. Espero só pela graça de Olorum!

Oluandeji:- Érico, o seu vídeo indignou os religiosos de todo o Brasil, infelizmente não é um fato isolado, mas o que levou e o que diziam esses agressores?

Érico Lustosa:– Bom meu caro Oluandeji Nkosi, além dos motivos quais já lhe expus, creio que eles quiseram se valer do fatídico, cruel e hediondo assassinato de uma criança (Flanio da Silva Macedo, 9 anos) que teria se passado supostamente numa liturgia de (sic) “magia negra”, praticados por supostos pais e mãe-de-santo; creio também que a entrevista do Fantástico – com a Rosane Collor – acendeu a (arg) “oportunidade, o momento perfeito” para que se assacar e achincalhar com a fé de matriz africana. Não tenho dúvidas de que foi um movimento bastante articulado! Vamos raciocinar com a lógica: Dois meses antes, a Record começa uma série de reportagens sobre crianças raptadas assassinadas na África por supostos “feiticeiros de crenças tribais” (palavras dos repórteres)! Em algum momento a Emissora fez distinção entre este ocorrido e o candomblé brasileiro? Não! Depois vem o assassinato da criança aqui em PE. Em seguida a quebra e queima de sete Terreiros aqui em PE. Depois a reportagem do Fantástico. E, enfim, a tal “caminhada”! Daí eles param e começam a cantar e orar com o “evangelho da ousadia” (procure na net quem fala desse evangelho e pra que fala). Se você, meu nobre observar o vídeo, verá (muito rapidamente) um porco amarrado no poste. Eu lhe pergunto: o senhor que é do axé, deixaria no ebó da Oxum seu animal de sacrifício do lado de fora do Barracão (literalmente na rua) se não estivesse ABSOLUTAMENTE APAVORADO? Porque eu não deixaria de forma alguma!!! Perceba que durante todo embate não saiu um único filho daquela Casa para sequer ver o que estava se passando. Outra indagação: conhecendo como se conhece esse tipo de “ativista cristão” o senhor realmente crê que eles iriam observar uma matança numa boa e depois iriam sair dali no maior respeito do mundo? Principalmente contando com a opinião pública levantada com ódio dos “malditos catimbozeiros assassinos de criancinhas”?! Eu não consigo crer nesse tipo de milagre. Ou eu agia pontualmente ali, ou seríamos totalmente dizimados. Não tenho a menor dúvida disso. Recebi ameaças na hora e ainda venho recebendo-as. Eles gritavam: “manda fogo Jesus para queimar esse satanás”! E ainda “vem com Josué lutar em Jericó, e as muralhas cairão”! Bom, como vou saber onde finda o “fogo do senhor” e começa o coquetel molotov, dentro duma situação dessas?! O que é “as muralhas cairão”?! Isso pode ser muito simples dentro do ambiente do Templo deles. Mas nas ruas, frente a um Candomblé ante um clamor popular por vingança contra os “assassinos de crianças”…? Quem pode me garantir tal?! Outra coisa, nosso povo não é muito dado ao famoso “virar o outro lado da face”, e se tivesse alguém ali dentro com “sangue no olho”, como costumamos dizer por aqui, o que teria se dado?! Quem responderia por um embate catastrófico civil e criminal ali?! Jesus?! Imagino que não!…

Oluandeji:- Gostaria de saber se a polícia veio atender a ocorrência e se tomou alguma atitude.

Érico Lustosa:- Babá Oluandeji Nkosi, eles nem deram as caras! Aliás, para não faltar com a verdade, depois eu fiquei sabendo que antes do ocorrido comigo havia estado lá uma viatura policial, pois haviam denunciado que uma criança estava sendo sacrificada naquela Casa.

Oluandeji:- Num país laico vejo a mídia poderosa e tendenciosa massacrando as religiões afro brasileiras, em sua opinião é apenas intolerância religiosa ou racismo por ser uma religião negra?

Érico Lustosa:- Ambos! Vejo uma retroalimentação nessas atitudes. Só não sei em que nível de simbiose a praga se revela maior! Na verdade corrigindo, penso que seja no racismo pois, por mais que a sociedade hipócrita “branquei o negro” mudando-lhe as formas e costumes (chapinha, plástica de narinas e bocas, o fato do pardo, a linguagem transformada e etc), sua religião, ou seja, a religião de negro ainda vai ser uma marca cultural e indelével!

Oluandeji:- Podemos dizer que já houveram muitas guerras em nome de Jesus Cristo e não encontro nenhuma em nome de Nzambi ou Olorun. Na sua percepção o que levam as pessoas a agredirem e a violentarem outras pessoas ou religiões?

Érico Lustosa:- Babá Oluandeji Nkosi, lamentavelmente eu observo por dois ângulos estritamente negativos: Primeiro pelo fato de estarmos interagindo como “moeda de troca” num estado dominador discriminador. E segundo por virmos sendo passivos ante tal. Nós mesmo estamos alimentando uma sub cultura para nosso povo. Nós mesmos estamos ensinando nosso povo a viverem de (arg) “cuia na mão! Temos um Pai-de-santo aqui, da Nação de Xambá, Babá Ivo, que costuma dizer: “Meu querido, nosso povo não é unido; é sim reunido”! Pois é: enquanto o pensamento for esse, continuaremos a assistir cenas tristes como essas que gravamos aqui em Olinda.

Oluandeji:- Na política temos que nos precaver com a bancada evangélica que traz como seu objetivo a eliminação das religiões negras. Vendo por essa perspectiva a ocupação de espaço legítimo é uma meta que devemos alcançar, então lhe pergunto qual é a importância de hoje elegermos políticos do Axé ou pessoas que lutam pela diversidade?

Érico Lustosa:– Meu caro Oluandeji Nkosi, eu creio que é de suma importância! É vital! Se não nos organizarmos por aí, não sobreviveremos enquanto expressão religiosa legítima por nem mais uma década! Aliás, fazendo justiça a quem de direito, sinto-me profundamente orgulhoso pela presença do Jean Wyllys no Congresso Nacional! Queria que houvesse mais do tipo dele! Sempre que arreio ebó para Oxalá, Ogun ou Exu, meu pai, peço e muito por ele! Para que tenha sempre força, incentivo, saúde e disposição a fim de que prossiga na luta!!

Oluandeji- E os Direitos Humanos, a SEPPIR entraram em contato ou se manifestaram em algum sentido?

Érico Lustosa:- Sob hipótese alguma, Babá. Ao contrário. Sei que minhas colocações foram (e são) duras. Mas quem esteve no meio do “babado” fui eu. E nas duas reuniões que se teve (uma no outro dia em Olinda com o representante da SDS e há outra dois dias depois com O Ministério Público na pessoa do Dr. Promotor Marcos Aurélio e a Delegada chefe da Delegacia dos Direitos Humanos) o representante do SEPPIR, Sr. Jorge Arruda e a conselheira do mesmo órgão, Mãe Elza de Iemanjá de tudo fizeram para esvaziar (anular) minha presença e voz. Eu que não me calo e me fiz ouvir. Como estavam os Babás e Yas antigas das Roças daqui de PE presente, foi o que me deu força na voz. Afora isso, ostracismo puro! Para lhe ser sincero perante Olorun e Exu meu pai, em função da politicagem que se vê dentro desses (arg) “instrumentos governamentais”, tudo o que se espera dali é apenas a manifestação de um “excelente balcão-de-trocas” de “favores pouco publicáveis”! É o que eu penso! Se estou certo ou errado, quem viver, verá!!

Oluandeji- O que podemos esperar para solucionar esse crime e dar vazão à justiça?

Érico Lustosa:- Babá Oluandeji Nkosi, meu nobre, não podemos esperar! Essa é a grande verdade! Temos que nos mobilizar para interpelar inclusive o STF via UNU se for o caso, pois a omissão da República Federativa por aqui está de patente pra lá! Temos “cristão” (coloco entre aspas porque sei que Cristão verdadeiro não se passa para isso e eu não quero ser xiita como muitos desses segmentos estão sendo) pregando e propalando na Internet o chamado “evangelho da ousadia” onde seus fieis são concitados a rasgarem a Constituição federal em favor da cega obediência à Bíblia! E aí? É de hoje que isso está acontecendo?! É óbvio que não! Mas e o Estado?! O que tem feito?! Nada! Lamento profundamente a estranha aproximação da querida Presidente com o Sr Edir Macedo! Esse senhor está pronto para colocar algum dos seus lacaios no Planalto!

Oluandeji:-  Analisando todo o contexto o que devemos refletir em sua opinião, onde ganhamos e onde perdemos em sua opinião?

Érico Lustosa:- Meu querido, Babá Oluandeji Nkosi, acho que se eu for fazer essa analise agora, estarei sendo repetitivo. Creio que já falei por demais dentro dessa linha. Porém (e aqui não vai um pedido de divulgação, se esta houver me é um tanto melhor, mas apenas para que o senhor mesmo analise enquanto pessoa) o trabalho de protesto que vimos realizando na net o senhor verá que a luta é grande e quase vazia. Assista, por exemplo, ao vídeo Datena X Afro brasilidade. Depois Datena X Afro brasilidade! Outra vez… Depois, se interessar, veja algumas matérias do canal do Youtube PovodeSantoCF, e observará como vimos batalhando por uma Justiça paritária para nosso povo e para nosso culto. E não o faço por nenhuma barganha política ou por nenhum interesse partidário ou eleitoreiro.

Érico Lustosa

Érico D’ Xorokê

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