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Ofensas raciais em um site de relacionamentos levaram uma jovem de 18 anos a procurar a polícia para denunciar um rapaz que teria se referido a ela com expressões como “preta imunda” e afirmado: “você não passa de uma preta de olhos escuros e cabelo crespo”. Os ataques, segundo a estudante Nicolie Caroline Pereira da Silva, de Timóteo, no Vale do Aço, aconteceram na última sexta-feira, durante um bate-papo na internet e teriam partido de um operador de telemarketing de 21 anos, morador de Ipatinga, na mesma região. Na segunda-feira passada, a jovem procurou a Polícia Civil acompanhada da família, e um inquérito foi instaurado para investigar o caso.

Segundo Nicolie, ela conheceu o suspeito há pouco mais de três meses no site de relacionamentos, mas os dois nunca teriam se encontrado pessoalmente. “A gente conversava e ele me convidava para sair. Eu dizia que poderíamos ir acompanhados de amigos, mas ele falou que assim iria quebrar o clima de romance. Depois que falei que eu queria só amizade, nós paramos de conversar. Na semana passada, ele puxou papo comigo e começou a me xingar”, contou a estudante. “Ele ofendeu a minha mãe, falou que a minha raça não prestava e disse que ele era melhor do que eu porque é branco, tem o cabelo liso e os olhos verdes”, lembrou.

A conversa entre os dois foi copiada por Nicolie e postada no mesmo site, gerando dezenas de comentários condenando a atitude do rapaz.

As ofensas teriam continuado mesmo depois que a jovem avisou que copiaria os arquivos da conversa e que o preconceito era crime. “Eu falei que dava cadeia e ele continuou me ofendendo. Disse que eu tinha cabelo de palha de aço e que a Bíblia condena os negros. Falou em raça de Satanás”, afirmou a estudante. “Ele não deveria tratar as pessoas assim e acho que o caso deveria servir de lição para que todas as pessoas se respeitassem”, concluiu.

Outro lado. A reportagem de O TEMPO tentou entrar em contato com o rapaz apontado como o autor das ofensas, mas ele não atendeu as ligações. Se comprovada a culpa, ele pode responder por injúria qualificada. A pena prevista é de um a três anos de prisão e pagamento de multa.

 

Mãe está assustada com os insultos

A mãe de Nicolie, Doreci dos Reis Pereira da Silva, 43, contou que a filha chamou por ela assim que o rapaz começou a xingá-la. “Fiquei muito assustada. Eu sempre ensinei as minhas filhas a respeitarem as pessoas”, disse Doreci. “Nunca imaginei que passaríamos por isso”.A mãe da estudante a orientou a denunciar as ofensas raciais. “Falei para ela postar na internet e disse que procuraríamos a polícia, porque é grave. Copiamos toda a conversa mantida entre os dois desde o mês de abril e entregamos para o delegado de Timóteo”, disse.

A família também ficou surpresa com o fato de o operador de telemarketing ter continuado agressivo, mesmo após o bate-papo ter sido visualizado por outros usuários do site. “A Nicolie está abalada. Não consegue dormir direito e agora está com medo”, contou Doreci.

Fonte: O Tempo

 

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