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Há 26 anos, Mãe Menininha do Gantois, uma das mais admiradas mães-de-santo do Brasil nos deixava para ir de encontro a Orun, em 13 de agosto de 1986. Foi realizada ontem (13), na Igreja da Vitória, em Salvador, a missa em memória da importante sacerdotisa, conhecida por sua resistência e luta contra a discriminação e a intolerância religiosa.

A mais famosa ialorixá da Bahia é a quarta mãe de santo do terreiro do Gantois. A instituição religiosa de origem ketu mantém historicamente a política do matriarcado e de sucessão hereditária de linhagem consanguínea. O Gantois foi fundado em 1849, por sua bisavó Maria Júlia da Conceição Nazaré. Na década de 20, foi escolhida para ser a ialorixá do terreiro em virtude da morte de sua tia-avó, mãe Pulchéria. Ela esteve à frente do templo religioso por 64 anos, de 1922 a 1986. Hoje quem comanda o terreiro, um dos mais respeitados do Brasil, é Mãe Carmem, a filha mais nova de Mãe Menininha.

Mãe Menininha assumiu o posto de ialorixá, em 1922, e enfrentou o preconceito que a sociedade tinha em relação aos adeptos do candomblé, pois não havia liberdade de culto naquela época. Apesar de ter conquistado mais tolerância na década de 1930, com a Lei de Jogos e Costumes, as festas só podiam ser realizadas em horários determinados e mediante autorização por escrito.

Mãe da Sabedoria – Maria Escolástica da Conceição Nazaré recebeu na infância o apelido por ser quieta e franzina, era filha dos descendentes de africanos Joaquim e Maria da Glória, que eram da nação Egbá-Arakê, das terras de Agbeokutá, no sudoeste da Nigéria. A ialorixá era bisneta dos negros libertos Maria Júlia da Conceição Nazareth e Francisco Nazareth de Eta. Foi iniciada no Candomblé aos oito meses de idade, para o orixá Oxum.

Após a sua morte, seus filhos deixaram seu quarto intacto, com seus objetos de uso pessoal e ritualísticos. O aposento foi transformado no Memorial Mãe Menininha e é uma das grandes atrações do Gantois.

Jorge Amado, Vinícius de Moraes, Maria Bethânia e Caetano Veloso são algumas das inúmeras personalidades que se aconselhavam com a mãe de santo. Mãe Menininha recebeu muitos títulos e medalhas, os Filhos de Gandhy a nomearam como rainha do afoxé. No ano de 1976, foi homenageada pela Escola de Samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel, com o enredo “Mãe Menininha do Gantois”, do carnavalesco Arlindo Rodrigues e interpretação da cantora Elza Soares.

Em 1972, Dorival Caymmi compôs a famosa música “Oração a Mãe Menininha”, que trazia os versos que reverenciam o valor e a autoridade de Mãe Menininha.

Ai minha mãe
Minha Mãe Menininha
Ai minha mãe
Menininha do Gantoise
A estrela mais linda, hein? Tá no Gantois
E o sol mais brilhante, hein? Tá no Gantois
A beleza do mundo, hein? Tá no Gantois
E a mão da doçura, hein? Tá no Gantois
O consolo da gente, hein? Tá no Gantois
E a Oxum mais bonita, hein? Tá no Gantois
Olorum quem mandou
Essa filha de Oxum
Tomar conta da gente
E de tudo cuidar
Olorum quem mandou ô ô
Ora iê iê ô…
Ora iê iê ô…

Fonte: Fundação Cultural Palmares

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