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Brasília – O presidente da Fundação Cultural Palmares, Elói Ferreira de Araújo, lançou na segunda-feira (20/08), na abertura do Seminário Internacional “Herança, Identidade, Educação e Cultura: gestão de sítios históricos ligados ao tráfico negreiro e à escravidão”, campanha para que o Cais do Valongo no Rio, seja declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela ONU.

“O Cais do Valongo foi o maior porto de entrada de africanos no Brasil. É um sítio histórico rico em memória e deve ser compartilhado com todos, por isso, deve se tornar Patrimônio Cultural da Humanidade”, afirmou Elói na solenidade de abertura do evento no Museu Nacional.

No Cais foram encontrados vestígios do maior porto de chegada de escravos do mundo, onde desembarcaram mais de um milhão de pessoas. A antiga estrutura portuária na Avenida Barão de Tefé surgiu com as escavações para revitalizar o local, logo abaixo do Cais da Imperatriz, construído em período posterior, para recepcionar a princesa Teresa Cristina, que se casaria com Dom Pedro II.

A iniciativa ganhou o apoio da ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, que fez parte da mesa de abertura do Seminário juntamente com a ministra da Cultura, Ana de Holanda, do secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira, da deputada Federal Erika Kokay, da secretária de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial do Distrito Federal (Sepir-DF), Josefina Serra dos Santos e da ex-ministra Matilde Ribeiro, convidada por Elói para integrar a mesa dos trabalhos.

O convite surpreendeu até a ex-ministra que se encontra no ostracismo político desde que deixou a SEPPIR e viu naufragar, no início deste ano, a tentativa de voltar ao cenário político nacional ao ser derrotada na disputa interna para a Secretaria de Combate ao Racismo do PT nacional. “Estou surpresa de estar na mesa”, disse.

Reconhecimento

Segundo a ministra chefe da SEPPIR, socióloga Luiza Bairros, a candidatura do Cais do Valongo é o reconhecimento da contribuição dos descendentes de escravos para a construção do Brasil.

“Apesar de todos os avanços que nós já obtivemos enquanto sociedade, no que se refere à igualdade racial, ainda somos um país que lida muito mal com o seu passado escravista. Teremos a chance de transformar aquele sítio [Cais do Valongo] em símbolo da nossa luta pela democracia racial”, afirmou.

O Seminário, que contou com a abertura do representante da Unesco no Brasil, Lucien Muñoz, acontece até esta quinta-feira (23/08), no Hotel Saint Peter, em Brasília, e tem, entre outros objetivos, incentivar o turismo de memória nos locais ligados ao tráfico negreiro e à escravidão.

É o terceiro que acontece, desde 1998, resultado de uma parceria entre a Fundação Palmares e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciências e a Cultura (UNESCO) com o apoio dos Ministérios da Cultura, Educação, Turismo, Relações Exteriores e patrocínio dos Correios.

Segundo Muñoz, o representante da UNESCO, o Seminário será “uma oportunidade para analisar as melhores práticas de turismo de memória e identificar novas abordagens sobre o tema, além de desenvolver diretrizes claras para o desenvolvimento de um manual que deve capacitar os gestores responsáveis por esses sítios históricos”. 

Fonte: Afropress

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