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Um possível caso de intolerância religiosa foi registrado, na noite de ontem, pela polícia na rua Estácio de Sá, no bairro da Madalena, Zona Oeste do Recife. Um terreiro de candomblé foi invadido por um homem que seria da religião evangélica. De acordo com informações de testemunhas, o suspeito arrombou a porta e teria a intenção de matar o pai de santo e dono da casa, Pai Vicente de Xangô. O homem foi contido pela população e o caso foi parar na delegacia. A polícia vai solicitar a presença do suspeito, que não teve a identidade revelada, para prestar depoimento e um inquérito será instaurado. 

Segundo informações de vizinhos, os ânimos são exaltados entre os evangélicos e frequentadores do centro, com discussões frequentes na rua. “Foi um homem evangélico que invadiu o terreiro. O dono da casa é respeitado pelos moradores da rua, mas os evangélicos vivem soltando piadas conosco. Eles têm a igreja deles e nós não dizemos nada. Isso é um caso puro de intolerância religiosa. O dono da casa chegou a passar mal e isso pode se tornar casa vez mais perigoso”, desabafou Antônio Carlos, o Pai Carlos de Iemanjá, que tem um terreiro em uma rua próxima.

Vicente de Xangô compareceu à delegacia e prestou uma queixa contra o suspeito. O pai de santo detalhou como tudo aconteceu. “Eu estava no salão e ouvi uma pancada. Quando fui ver, era o homem que arrombou a porta dizendo que queria me matar. Ele é evangélico, mas eu sempre me dei bem com a família dele. Minha filha adotiva, o marido dela e os vizinhos o seguraram e impediram o que seria o pior. Moro no local há 40 anos e isso nunca aconteceu comigo. Todo mundo me respeita. Ele chegou a dizer que iria beber meu sangue”, contou, ainda muito assustado.

O caso foi para a Delegacia da Várzea. A delegada de plantão recebeu a queixa e registrou um Boletim de Ocorrência. “Eu fiz um B.O. e solicitei a ida dos peritos do Instituto de Criminalística, para comparecer ao local que teria acontecido o arrombamento. A perícia vai ser feita no terreiro e o caso vai ser investigado. Vai ser feito um inquérito policial e as partes serão ouvidas. O caso ficará com a Delegacia do Cordeiro”, afirmou a delegada Ana Lúcia Mongini. 

Fonte: Folha de PE

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