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Foz de Iguaçu – Seguidores das Religiões do Candomblé e da Umbanda denunciam que estão sendo alvos de intolerância religiosa. Centro têm sidos apedrejados durantes as celebrações, pessoas, até mesmo armadas, ameaçam invadir os templos, e fiéis e mães e pais de santo são xingados. A violência atinge graus diversos, como a colocação de faixas em frente aos centros e até mesmo invasões e ataques.

O último registro de intolerância aconteceu entre a manhã e a tarde de terça-feira (07/08) no Ijoba Ase (Axé) Baru, centro de Candomblé no Jardim Canadá. Os invasores não apenas invadiram o local como escreveram no chão, tomaram bebidas, fumaram, comeram, jogaram alimentos no chão, abriram armários e roubaram jóias e dinheiro. Conforme a babalorixá Edna Costa de Almeida, mais conhecida como Edna de Xangô, o ataque teria ocorrido entre a manhã e a tarde. “Não teria como eles terem entrado pela frente, pois é tudo fechado. Quando abri a portam vi que tinham escrito: “Jeová” no chão. Conforme fui olhando, estavam todas portas abertas , guarda-roupas e armários abertos e revirados e eu saí correndo para buscar ajuda, pois estava sozinha”, narrou a mãe de santo.

Armado

Depois de refeita do susto, Edna ligou para Polícia Militar, às 16:17 e, segundo ela, recebeu a informação de que não poderia ser enviada viatura, o que aconteceria apenas se o “ladrão” ainda estivesse no local. Ao dizer que se tratava de um centro de Candomblé, a religiosa recebeu como resposta que deveria buscar a Polícia Civil. “Eu perguntei se poderia pelo menos passar uma viatura , pois estava só, eles (o atendente) disseram que não poderiam fazer nada”, contou. Para registrar o fato, a Mãe de Santo buscou a Polícia Civil, onde foi lavrado Boletim de Ocorrência e a receptividade foi boa.

De acordo com ela, a invasão e o vandalismo foram o ponto alto de uma onda de ameaças que a casa sofre há cerca de dois anos. Antes, havia reclamações em razão do barulho. No entanto, no final do ano passado, durante uma cerimônia, pessoas jogaram pedra e um vizinho chegou a ir à frente do portão armado, ameaçando os presentes. “Sábado retrasado eram sete horas da noite e não tinha como dizer que estávamos incomodando com o barulho. Mas começaram a tacar pedras. Eles fazem isso e vão para a rua, para ver se a gente briga. A gente chama a polícia e quando vem, eles dizem que não vieram porque chamamos, mas porque estamos incomodando. Eles nunca dão razão para gente”, lamentou.

Como Ialorixá e vítima, Edna disse achar inadmissível que na atualidade haja este tipo de ação. Conforme ela, este pensamento não se deve ao fato de alguém ter entrado em sua casa, mas pela falta de preocupação com os seguidores das Religiões Afro-Brasileiras. “Nós não prejudicamos ninguém, tentamos ser os mais respeitadores com a natureza possível. Então eu vejo isso com muita dor. Pela minha religião, pelo que ensinei aos meus filhos, que é a não entrar na casa de ninguém, respeitar as demais religiões, a não discutir o que não sabe e a honrar a cultura dos outros”.

Morumbi

A intolerância aos cultos não se restringe a uma casa. No Morumbi, onde está o centro de Marina Áureo Galdino, coisas semelhantes acontecem. De acordo com ela, já foram jogados tijolos e pedras, o portão foi quebrado e deram chutes nas portas. “Penduraram faixas na frente da minha casa: “Aqui no Morumbi I tu estas derrotado, Satanás”, narrou.

De acordo  com a Marina, há cerca de dois a três anos o problema cresceu, depois voltou a diminuir . Hoje, quando há cerimônias, vizinhos chamam a polícia assim que chegam as 22horas. Para evitar atritos, a opção foi manter as cerimônias aos sábados até no máximo à meia noite.

“Eu sinto vergonha (com isso) porque eu respeito todas as religiões e sinto vergonha de eles não saberem o que é o Candomblé, não saberem o que são nossas raízes e ter o preconceito que somos adeptos do diabo, que somos de Satanás. Isso me dá vergonha, pois eles não procuram aprender”, lamentou Marina. Para ela, preciso que esses detratores aprendessem algo sobre a religião para depois comentar sobre o Candomblé.

PM

Em contato com a Polícia Militar, há o registro da solicitação da ocorrência no centro Ijoba Ase Baru. Porém, o atendimento , na avaliação da corporação, teria sido o suficiente, que seria a orientação. A PM informou que teria sido repassada à central uma situação de furto e o atendente fez o correto ao orientar que se buscasse a Polícia Civil.  

(Clique na imagem para ouvir a entrevista Mãe Edna de Xangô)

Fonte: Gazeta do Iguaçu

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