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Em despacho data do último dia 10/10, ainda sem ter sido publicado, o relator Marrey Uint, da 3ᵃ Câmara de Direito Público acatou solicitação da USP e cancelou a audiência de conciliação que aconteceria ontem (16) às 13h30, no Palácio da Justiça (Praça da Sé, s/n – Sala 202).

Nesta audiência de conciliação entre a Universidade de São Paulo – USP, o CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades e a EDUCAFRO – Educação para Afrodescendentes e Carentes  seria apresentada uma  proposta para adoção das cotas raciais, para inclusão de jovens negros e carentes, já para o vestibular 2013 da instituição.

“Com este recuo da USP  um assunto que poderia ser resolvido em médio prazo, e já beneficiar estudantes no vestibular 2013, tende a demorar mais e assim prejudicar muitos jovens que poderiam se beneficiar das cotas raciais”,lamentou Dr. Hedio  Silva.

A audiência é resultado de uma ação judicial que já havia sido proposta em 2004 pelo CEERT e EDUCAFRO, que serão representados pelo ex-secretário da Justiça do Estado de São Paulo,Dr. Hédio Silva Jr. (Diretor Executivo e advogado do CEERT) e por Frei David Raimundo dos Santos (Diretor Executivo do EDUCAFRO).

O relator do processo,Desembargador Marrey Uint,aceitou o argumento das ONG’s no sentido de que a evolução da legislação e da jurisprudência sobre cotas raciais justifica a tentativa de conciliação.

A USP adota atualmente um sistema de inclusão, o Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp), que dá bônus aos alunos advindos de escolas do ensino público, mas não há cotas para estudantes negros ou indígenas. “Se você comparar o Inclusp com os programas de inclusão de outras universidades públicas do Brasil, você vai descobrir que o Inclusp é o programa que menos inclui brancos pobres e menos inclui negros”, disse o diretor executivo do Educafro, Frei David.

No início deste ano, o STF (Supremo Tribunal Federal) considerou constitucional a reserva de vagas nas universidades. O Senado aprovou e a Presidenta Dilma sancionou a Lei 12.711 de 29/8/2012, mas de acordo com a Educafro, por pressão do PSDB na Câmara e no Senado esta lei foi restrita às Universidades Federais. As instituições estaduais só adotam em função do nível de consciência dos seus dirigentes. Conforme levantamento da Educafro 196 instituições federais e estaduais do país têm reservas de vagas para negros, rede pública e índios.

Enviado por  Central de Comunicação / Claudia Alexandre 

Fonte: Portal Africas

 

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