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A Pedra da Macumba, em Mairiporã, na Grande São Paulo, deixou de ser ponto de encontro para a prática de rituais ligados a religiões de matriz africana. Dez meses após a dona de casa Geralda Guabiraba, de 54 anos, ter sido encontrada morta ali, o local  foi “batizado” com diversas mensagens cristãs.

As oferendas que apelidaram a pedra na Estrada da Santa Inês fazem parte do passado. As especulações policiais sobre o assassinato de Geralda estar ligado à prática de magia negra afugentou quem considerava o local um templo para exercer a fé.

Ainda no início das investigações, a teoria de ritual satânico foi descartada. Mesmo assim, a má fama da pedra permaneceu. As inscrições “Só Jesus salva” e “Leia a Bíblia” surgiram no último mês.

Para o pai Guimarães de Ogum, presidente da Abratu (Associação Brasileira dos Tempos de Umbanda e Candomblé), a palavra “macumba” simboliza o preconceito da sociedade em relação às religiões africanas. “Dizer que só Jesus salva é uma afronta. O que salva é a prática de respeito ao próximo e agir como Jesus, que não julgava ninguém”, diz.

Segundo Guimarães, os rituais do candomblé e umbanda estão ligados à natureza e por isso locais como a Pedra da Macumba são utilizados. “Buscamos parcerias com as prefeituras para fazer mutirões de limpeza, mas o preconceito impede que os projetos andem. A sociedade nos vê como feiticeiros.”

A Promotoria de Mairiporã cogitou uma ação civil para impedir que rituais fossem realizados na pedra sob o argumento de evitar acidentes na estrada. O Ministério Público desistiu do procedimento.

A Assembléia de Deus, igreja  cujo nome foi escrito na pedra, não atendeu a reportagem.

Thaís Nunes

Fonte: Diário de São Paulo

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