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S. Paulo – O Instituto Latino Americano de Tradições Afro-Bantu (ILABANTU), com sede em Itapecerica – cidade da região metropolitana da Grande S. Paulo – quer que o chefe da representação da Fundação Palmares, no Estado, Nuno Coelho, dê explicações a respeito de declarações contrárias aos editais para produtores negros anunciados recentemente pela ministra da Cultura, Marta Suplicy.

Coelho também teria feito declarações em recente seminário em que teria manifestado orgulho de ser “um negro cristão”, o que provocou reações de indignação de lideranças das religiões de matriz africana.

“Como representantes que somos das tradições afro-brasileiras, e vinculados também à defesa das religiões de matriz africana, ficamos estupefatos em verificar que o representante da Fundação demonstrou aderência religiosa a determinado seguimento religioso, mesmo sabendo que o Estado, não deve ou não pode, por sua laicidade, preterir qualquer manifestação religiosa advinda do povo”, afirma Walmir Damasceno, o Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi, presidente do ILABANTU, em carta dirigida ao chefe da representação com cópia a Elói Ferreira de Araújo, presidente da Fundação Palmares.

Damasceno também expressou indignação diante de declarações do representante da Palmares à Folha de S. Paulo contrárias aos editais apenas a produtores negros anunciados por Marta recentemente. Por meio das redes sociais, Coelho, afirma ter sido mal interpretado e acusa o jornal de ter distorcido suas palavras.

Afropress apurou que a polêmica vem ocupando o próprio Presidente da Fundação, Elói Ferreira, por conta das repercussões negativas no Movimento Negro.

Cotas

“A política de cotas representou para todos nós afrodescendentes, um importante plano de reparação de danos imensuráveis que atingiu toda uma coletividade, na medida em que a libertação do vínculo escravista lançou enorme contingente negro no plano do abandono social e governamental, o tema amplamente discutido em alto nível, pelo Supremo Tribunal Federal, foi reconhecido como via plausível e fundamental para o desenvolvimento de políticas afirmativas de reparação das consequências do regime escravista brasileiro”, afirma o presidente do ILABANTU, insistindo para que Coelho se esclareça “antes que tomemos posicionamentos públicos de repúdio às posições que nos parecem foram equivocadamente tomadas como institucionais”.

A carta encaminhada na terça-feira (16/10), é também assinada pelo secretário geral da entidade, Antonio Sergio Santos Rabêllo, o Taata Nganga Mukwanzilê.

Renúncia

O também sacerdote, Paulo César Pereira de Oliveira, Coordenador do Centro Cultural Orunmilá, de Ribeirão Preto, pediu a renúncia imediata de Coelho da chefia da Fundação Palmares, em S. Paulo.

“Aproveitamos a fala racista do senhor Nuno Coelho para exigir a sua renúncia ou a imediata demissão deste representante do pensamento judaico-cristão que nos nos escravizou e quer nos exterminar. Deixo aqui o pensamento de Jomo Kenyata, que nos ajuda a entender a gravidade da posição do senhor Nuno e a incoerência da FCP: “Quando os missionários chegaram à África nos ensinaram a rezar de olhos fechados. Quando nós abrimos os olhos eles tinham a terra e nós tínhamos a bíblia”, finaliza Oliveira.

Fonte: Afropress

 

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