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O enfrentamento à violência contra os jovens negros será foco principal dos debates nos eventos programados pela CUT São Paulo e pelos movimentos sociais para comemorar o Dia da Consciência Negra no próximo 20 de novembro, segundo Rosana Aparecida da Silva, secretária de Combate ao Racismo da CUT-SP.

Em reunião na manhã da última quinta (18) na sede da CUT-SP, representantes de várias entidades do movimento negro e de sindicatos filiados à Central apresentaram e discutiram propostas de atividades políticas e culturais, e a necessidade de refletir e reivindicar medidas de combate ao crescente extermínio da juventude negra foi uma preocupação apontada por todos os participantes.

“Não há nenhuma medida contra a violência que atinge a população negra. O movimento negro tem feito várias ações para tentar mudar essa situação, mas não tivemos nenhuma resposta da Polícia Militar ou do Ministério Público Estadual paulista”, alertou a dirigente cutista.

No final de setembro o governo federal lançou o Juventude Viva, programa piloto que integra a primeira etapa do Plano de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra e que prevê diversas ações voltadas aos jovens, como adoção do período integral nas escolas estaduais e criação de espaços culturais. O programa prevê, ainda, a capacitação dos profissionais que atuam com a juventude, incluindo os policiais militares. Na avaliação de Rosana, o programa deve ser implementado em São Paulo com urgência porque no governo estadual – onde Geraldo Alckmin diz que quem reagir à polícia vai morrer – os principais alvos da violência têm sido os jovens negros.

Além das diversas mortes recentes em conflitos envolvendo a Polícia Militar no Estado de São Paulo, dados do Ministério da Saúde revelam que 53% dos assassinatos do País têm jovens como vítimas e, do total, mais de 75% são negros.

Outra medida, em fase de estruturação pela CUT-SP, é a criação de um órgão da própria Central para receber e apurar denúncias de discriminação racial sofrida pelos trabalhadores e trabalhadoras, dando o encaminhamento jurídico necessário a cada caso. Apesar da existência de órgãos de denúncia dos governos estadual e municipal, os casos, quando registrados efetivamente, têm se tornado apenas estatísticas, sem a devida atenção e a tomada de medidas necessárias para garantir igualdade à população negra.

Por Flaviana Serafim/CUT-SP

Fonte: Adital

 

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