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Com a presença de quase todo o elenco de mais de 40 pessoas e do diretor Luiz Fernando de Carvalho, o seriado Subúrbia foi apresentado em uma grande festa, na noite de quinta-feira (18), no Galpão Aplauso, no Rio. O projeto estreia no dia 1º de novembro, na Rede Globo, e contará com oito episódios exibidos sempre às quintas-feiras após a também novata série Como aproveitar o fim do mundo.

Em clima de muita comemoração, a equipe responsável pela produção vendeu o produto como um possível marco para a TV brasileira, pois Subúrbia traz ingredientes de sobra para isso: tem, ao mesmo tempo, as mãos do aclamado Luiz Fernando Carvalho (de Os Maias, Hoje é dia de Maria, Pedra do Reino, Lavoura Arcaica, entre muitos outros trabalhos); o ineditismo de centrar as ações em um elenco majoritariamente negro, e principalmente luzes voltadas para um subúrbio não folclorizado. Além da aposta em um elenco praticamente de rostos desconhecidos.

O seriado conta a história de Conceição (a estreante Érika Januza, que roubou a cena e atenção dos fotógrafos durante a festa) e Cleiton (Fabrício Boliveiro). A primeira vem de Minas para tentar a vida no Rio de Janeiro e acaba acolhida por uma família do subúrbio. Ela vai entrelaçar sua história com a de Cleiton, um jovem revoltado com as leis injustas do morro, das quais foi vítima direta.

“O seriado vai falar da vida de pessoas em lugares simples. Subúrbia é só um nome que a gente pode dar. Estamos mesmo é falando da essência das pessoas, e isso é universal”, diz Boliveira, um dos poucos do elenco que já tem uma atuação mais constante na TV. A ideia proposta pelo texto feito a quatro mãos pelo escritor Paulo Lins e o diretor Carvalho, é, segundo o ator, protagonista do seriado, lançar um novo olhar para uma família de comunidades simples.

Mozart no subúrbio

Uma das gratas surpresas preparadas por Luiz Fernando Carvalho e a produção do seriado foi trazer de volta ao contato do público o produtor musical e escritor Haroldo Costa, mas na sua mais antiga pele: a de ator. Afastado da TV desde Chiquinha Gonzaga (1999), ele se mostra radiante com a oportunidade e arrisca: “A série vai ser mesmo um diferencial. Em breve as pessoas vão falar de séries, novelas, etc, dizendo assim: “antes de Subúrbia e depois dela. É uma história maravilhosa, que não é vista na TV com assiduidade.”

O ator viverá um dos mais sensíveis personagens da história, o Aloísio, que acolhe em sua casa a Conceição. Trata-se de um patriarca de 80 anos, um homem comum, mas com muitas “peculiaridades”, como sugere o próprio intérprete. “Ele dança o jongo, gosta de choro, mas ao mesmo tempo levava os filhos para ver concertos no Teatro Municipal. Seu Aloísio ouve música clássica no rádio e põe Mozart para os passarinhos ouvirem”, conta empolgado com o papel e fazendo questão de deixar claro que só está afastado da atuação por falta de convites.

‘Câmera com outro olhar’

Haroldo foi apenas um dos vários que aproveitaram a festa de lançamento do seriado para disparar confetes sobre o diretor da trama. “A câmera na mão dele tem um outro olhar.” Um dos últimos a chegar à festa, Carvalho evitou rotular seu seriado como algo que “veio para desmistificar o conceito de subúrbio”, como uma ideia pronta, apesar de esta ser a investida corrente.

Segundo o diretor, Subúrbia nasceu de uma história própria, um contato que teve, por 25 anos, com uma mulher negra, que também veio de Minas para o Rio e que, como a protagonista Conceição, foi acolhida por uma família do subúrbio. Na emocionada apresentação que fez do elenco e da história, o diretor fez uma homenagem a equipe: “esse elenco me ensinou como evitar o pitoresco, o ponto de vista de fora, excludente e falso. É um gesto político. Denúncias restam inertes do meu dia a dia dentro do estúdio de gravação se não houver um esforço para entender o outro.”

Ao lado de Paulo Lins – autor dos livros Cidade de Deus e Desde que o samba é samba – e de Haroldo Costa, ele fez questão de dedicar a festa para o elenco. A maior parte dele, formado por atores não-profissionais e até por não-atores – caso da protagonista Erika Januza, descoberta, por acaso, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

A intenção foi dar um tom naturalista à produção e aproximar a história de um universo real. Uma outra parte da equipe em cena será de atores do grupo Nós do Morro, com sede na comunidade do Vidigal, zona sul do Rio. Também foram escalados integrantes do grupo de rap Panteras Negras, do grupo teatral Tá na Rua, além de músicos do AfroReggae e Afro Samba e até passistas de escola de samba.

 Fonte: Terra

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