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O comportamento da empresária Kenya Mayrink, que publicou um post considerado racista no facebook deve ser reposicionado, segundo o diretor de relações étnicas e raciais do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental, Humberto Adami.

Ele deu uma entrevista exclusiva ao jornal Terceira Via e apontou possíveis soluções para o problema.

Para evitar casos como o post no facebook é que Adami defende a aplicação da lei 10.639 que torna obrigatório o ensino sobre a história e cultura afro-brasileira nas escolas das redes pública e particular. Para ele, o conhecimento sobre a cultura afro deve ser difundido nas escolas para que, quando adulto, o ser humano não cometa tais atos de racismo.
“Sobre este caso específico é preciso tratar as causas, não só os efeitos”, disse. A repercussão do post tem gerado cada vez mais revolta nas pessoas. A cada instante, novos comentários sobre o assunto são publicados na internet.

Jornalistas e negras, Cláuda Eleonora e Suzy Monteiro repudiaram a atitude de Kênya. Outros acharam uma mera coincidência ela ter o nome de um país pobre da África onde a raça predominante é a negra.
Veja abaixo alguns depoimentos:
“Ontem me decepcionei completamente com uma conhecida em virtude de um comentário racista no Facebook. Estou convidando todos a compartilharem esse post e repensarem coisas propagadas aqui e na vida”. Suzy Monteiro

“A humanidade evolui, faz conquistas tecnológicas e o pensamento de algumas pessoas continua tão atrasado… Lamentável. Racismo é CRIME! Usar o espaço da rede social para práticas racistas é abominável. As relações raciais no Brasil já conquistaram avanços, mas ainda sabemos que estamos distantes de encontrar a tão sonhada igualdade em diferentes setores. Mas, é inadmissível deixar que pessoas usem espaços como esse para manifestações criminosas, como fez a empresária campista. Vamos dar um basta à intolerância, ao preconceito, à desigualdade e à falta de respeito!! Que os nossos filhos possam viver num país, onde a cor da pele seja uma característica da diversidade racial e não motivo para ofensas e preconceitos. Eu tenho ORGULHO da minha cor, da história de luta e de conquista dos meus antepassados. Tenhamos mais dignidade”  Cláudia Eleonora.

“É uma pena que em pleno século XXI ainda existam pessoas que julgam as outras pela cor da pele. Ignorância é achar que cor de pele determina competência. Ela se sentiu diminuída diante de uma pessoa de pele negra que ocupava uma posição social superior a dela, isso é ignorância. Racismo não é doença, é falta de caráter, de personalidade e beira a sociopatia.”  Sandra

“É uma mera coincidência ela se chamar Kenya. Enfim, infelizmente um enfermo da alma…. devemos ter compaixão desse ser em evoluçao.” Wellington
Kenya postou no dia 24 de outubro, no facebook, um post criticando os negros. Ela disse que alguns devem “voltar ao tronco”. Para Adami, só pode voltar ao tronco quem um dia esteve lá e, por isso, o comentário foi racista.

“Quem se sentir lesado deve entrar com uma representação na Justiça por danos morais”, afirmou Adami. O advogado é responsável pela representação na Justiça para que o Ministério da Educação cesse a distribuição nas escolas dos exemplares do livro “Caçadas de Pedrinho”, do autor Monteiro Lobato. Segundo Adami, o livro é racista. O processo será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STJ).

A equipe do Jornal Terceira Via tentou entrar em contato com a empresária, mas não obteve sucesso.

Fonte: Jornal Terceira Via