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Antes mesmo de estrear, “Salve Jorge” já enfrentava uma onde de ataques de parte dos evangélicos. Não foi à toa que a própria Rede Globo tentou convencer Glória Perez a alterar o nome de sua novela, com medo da reação de alguns setores mais fanáticos. A autora não aceitou e decidiu manter. Pois assim que foi ao ar o primeiro capítulo da nova trama, a campanha contra e a incitação de ódio aumentaram significativamente. Vários blogs e grupos espalharam fotos e textos com ofensas e muito preconceito.

O que se pôde observar é que a Record teve uma grande participação nisso. Em quase todos os textos que apresentavam ferrenhos ataques à novela e conclamavam as igrejas neopentecostais a rejeitar a história de Glória Perez, haviam conselhos para que se assistisse à reprise de “Rei Davi”, minissérie bíblica da concorrente exibida no mesmo horário, no lugar. Uma ‘coincidência’ difícil de engolir.

Como se não bastasse essa situação totalmente absurda, o Bispo Edir Macedo — líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), instituição que controla a Rede Record — publicou um texto negando a existência de São Jorge. A questão é que não há comprovação da existência de nenhum santo e de nenhum Deus; porém, é de vital importância que se respeite a crença e a religião de cada um, incluindo ainda os que não acreditam em nada.

A intolerância religiosa é um mal que se encontra cada vez mais presente em nossa sociedade e é uma lástima que supostos líderes, ao invés de pregar o respeito, incentivem o ódio e a demonização do que vai contra os seus pensamentos. Mais lamentável ainda é quando se utiliza o fanatismo de alguns para tentar beneficiar a grade de programação de uma emissora, pregando críticas em cima da concorrente.

A Rede Record também deveria se preocupar mais em administrar os seus próprios problemas, ao invés de perder tempo com a concorrência. Afinal, os índices da emissora dos bispos andam bem baixos e o SBT vem conseguindo a vice-liderança. Ainda — segundo o jornalista Flávio Ricco — há uma dívida de R$ 200 milhões na empresa, ou seja, a situação não anda nada boa.

Todos têm o direito de assistir o que bem quiser e para isso existe o controle-remoto. Aliás, “Salve Jorge” tem feito por merecer os baixos índices de audiência que tem obtido. A novela de Glória Perez apresenta um ritmo entediante, excesso de personagens, muitos atores desperdiçados e uma história que transborda repetições. Esse texto não é uma campanha a favor da trama e sim contra qualquer tipo de intolerância e preconceito.

Infelizmente sempre haverá veículos, instituições e pessoas que se utilizarão de crenças e do fanatismo religioso para manipular e ludibriar pessoas, em busca de interesses financeiros e pessoais. Cabe a cada um ter inteligência e sensatez para identificar esse tipo de ação e não se deixar envolver. O preconceito é o retrato da ignorância.

Por Sérgio Santos

Fonte: De Olho Nos Detalhes

 

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