Tags

, , , , ,

Da luta à celebração. A abertura oficial do I Encontro das Culturas Negras, realizada no Forte da Capoeira, em Salvador, foi marcada pela força e exemplos da participação do povo negro na luta pela igualdade e contra a discriminação racial. Neste mês da consciência negra, os heróis da Revolta dos Búzios ganharam atenção especial dos convidados que compuseram a mesa de abertura, justamente na data que foram assassinados, no ano de 1798. Zumbi dos Palmares, líder quilombola que dá nome ao Centro Cultural da Câmara dos Deputados, também foi lembrado pelas autoridades dos Governos Federal e Estadual e representantes de importantes instituições ligadas às culturas negras da Bahia.

A solenidade, que deu início à década afrodescendente e faz parte da programação do Novembro Negro, transformou o Forte do Santo Antonio Além do Carmo, em um território de reflexão dos costumes, ideias, expectativas e visões de mundo, através de expressões artísticas e intelectuais das culturas negras. Expressões artísticas valiosas, a exemplo do momento no qual Mestre Dinho e Mestre Nei Sacramento executaram os Hinos Nacional e ao 02 de Julho, acompanhados por uma orquestra de berimbaus e surpreenderam os participantes. “Nunca imaginei ouvir o Hino Nacional através do som de um berimbau. Foi realmente admirável”, disse a professora de história Rosa Santiago. A Roda de Mestres justificou o fato de a capoeira ser patrimônio imaterial brasileiro, fundamental para a formação da identidade nacional e, na atualidade, ser também integrante da cultura internacional popular. Foi acompanhada com atenção de todos.

“Somos todos habitados pelas culturas negras que constituem e singularizam nossa identidade cultural. Estamos no dia 8, data na qual grandes homens da Revolta dos Búzios, uma das primeiras e mais importantes revoltas populares do Brasil, foram assassinados”, lembrou, em sua fala de abertura, o secretário de Cultura da Bahia, Albino Rubim. Para ele, o Encontro, além de festejar as culturas negras mundiais, deve estimular que a Bahia seja uma espécie de encruzilhada. “Um lugar de encontro que acolha as riquezas das culturas negras”, explicou. “Deus queira que a gente possa realmente transformar Salvador num grande centro de diálogo de integração das manifestações culturais negras no mundo”, concluiu.

Ao prestigiar a solenidade de abertura, o governador da Bahia, Jaques Wagner, disse que a celebração é motivo de muito orgulho. “Entendo que a cultura negra é parte absolutamente consistente e primeira da formação não só do povo baiano, mas também do povo brasileiro. Salvador carrega com muito orgulho o título de ser a cidade mais africana fora da África. Isso para nós é motivo de celebração”, considerou.

A ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, pontuou que a iniciativa da realização do I Encontro das Culturas Negras é importante também pelo fato que em 2013 será iniciado a Década Internacional dos Afrodescendentes, conforme declarado pela Organização das Nações Unidas. “Um período que se estenderá de 2013 a 2022 como mais uma possibilidade para que os governos em todo o mundo juntem os seus esforços, recursos e renovem os seus compromissos com a promoção da igualdade racial e promovem o combate ao racismo”.

Para a diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), a iniciativa do Governo do Estado se une ao esforço do Governo Federal, especialmente da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial,  de buscar promover maior conhecimento e respeito pela herança cultural dos povos de descendência africana. “O objetivo geral desse encontro é conferir maior visibilidade a pluralidade e a diversidade das culturas negras e incrementar o intercambio sobre o tema, além é claro de contribuir para a formulação de políticas publicas voltadas para essa cultura identitária”, explicou.

Mesa-Redonda

O evento de abertura também promoveu o dialogo intercultural, através da realização da primeira das quatro mesas-redondas previstas para aconteceram até o dia 12. Renomados nomes, como Liv Sovik, Simon Njami, Umi Vaughan, Edgardo Ortuno e Mahomed Bamba,  falaram sobre Culturas Negras no Mundo Contemporâneo

Fonte: Maira Araujo