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“Para nós o mês de Novembro é um momento de buscar e reforçar a luta contra o racismo no Brasil. Mas, o combate ao racismo deve ser exercido todos dos dias do ano”, afirmou Cícero Almeida, coordenador do SOS Racismo, órgão da Assembleia Legislativa de São Paulo, ao falar sobre a realização da Semana da Cultura Negra, com exclusividade para a Rádio Vermelho.

Joanne Mota, da Rádio Vermelho, em São Paulo

Cícero informou que o evento teve início na tarde desta terça-feira (13) e vai até 5 de dezembro, com a realização de debates, seminários e a entrega do Prêmio Zumbi dos Palmares. Além disso, o ele também informou que o evento conta com o apoio da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais da Alesp.

Segundo o coordenador do SOS Racismo, “o evento busca retratar a luta do movimento negro no Brasil, que durante décadas busca, essencialmente, um reparo, um reconhecimento de anos de luta contra a opressão. Realizar a semana representa resgatar uma visão histórica da luta contra o racismo em nosso país”.

Das questões que serão abordadas durante o evento, Cícero destacou a violência contra os jovens na periferia, o racismo no mercado de trabalho, manifestação culturais, história se Zumbi do Palmares e João Cândido, entre outros.

Cícero reforça que “é preciso que a sociedade brasileira entenda que ou ela é negra ou é descendente. A cultura negra faz parte da nossa história e combater o racismo passa também pelo reconhecimento de nossa cultura, passa por desvendar nossa história”.

Educação formal e informal

Durante a entrevista, Cícero também destacou que dentro da cesta básica do brasileiro está faltando um elemento essencial para o seu desenvolvimento: a cultura.

“Sem o fomento à educação e a valorização e difusão da cultura não atingiremos uma cidadania mais ampla, justa e igualitária para todos. O currículo escolar no Brasil, por exemplo, ainda é arcaico, não se discute a questão negra nas escolas, figuras como João Cândido e Zumbi dos Palmares e suas contribuições ao nosso país não são debatidas ou mesmo nem sequer constam nos livros didáticos”.

Segundo ele, “é preciso quebrar as celas que inviabilizam o aprofundamento da nossa cultura. Não podemos admitir mais que a questão negra seja discutida a partir dos porões. Isso só será atingido quando percebemos a necessidade de se valorizar a consciência de nação. Ou seja, educação, cultura e informação são fundamentais para romper com esses grilhões, e assim resgatar uma dívida histórica com os que dedicaram sua vida a luta contra o preconceito em nosso país”.

Fonte: Vermelho