Tags

, , ,

A UNESP entrou na Justiça por “Reintegração de Posse” contra a OCUPAÇÃO do Prédio da Reitoria feita pelos militantes da Educafro. A Ordem de despejo emitida pelo Juiz de Direito da 9ª Vara da Fazenda, Dr. Adriano Marcos Laroca, recebeu o nº 2590/12 de 13 de novembro de 2012. Em anexo está a liminar.

A Reitora de Graduação, Dra. Sheila, recebeu a Educafro e detalhou que o Governador convocou os Reitores da USP, UNESP e UNICAMP e determinou que elaborassem um plano emergencial de inclusão baseado em COTAS igual ou superior ao votado pelo Congresso Nacional. Na fala da Reitora de Graduação da UNESP,em menos de um mês, por ordem do governador, o CRUESP (entidade que congrega a administração das três universidades Estaduais)  realizou 5 reuniões para debater como implementar as COTAS! Há um compromisso de que até o início de dezembro o Governador vai anunciar o plano de COTAS para negros e brancos pobres nas três universidades estaduais, através de um DECRETO.

A Educafro fez contatos com várias autoridades do Governo, uma vez que o governador está em viagem para fora do Brasil. Todas as informações se confirmaram, inclusive o longo diálogo com o Secretário do Ensino Superior do Governo do Estado, Dr. Carlos Vogt. Ele nos informou com detalhes que o plano de COTAS do Governo Estadual será melhor do que o do Governo Federal, pois terá também a bolsa de auxilio financeiro para os cotistas que vai ajudar na manutenção do estudante negro e branco pobre nas universidades. Juntamente com um forte trabalho conjunto a USP, UNESP e UNICAMP criarão, através da nova UNIVERSIDADE ESTADUAL – UNIVESP, criada recentemente, através do decreto nº 58.438 de 9 de outubro de 2012 (cuja principal missão será a graduação universitária virtual) um plano onde todos os alunos da rede pública que realizarem dois anos de graduação pela UNIVESP, ao serem aprovados neste curso de dois anos, poderão – SEM VESTIBULAR – optar por uma vaga na USP, UNESP e UNICAMP.

Em Assembléia os participantes da Educafro debateram por mais de uma hora se deveriam ou não continuar a ocupação da Reitoria (apesar da liminar do Juiz), que consiste em manter 5 pessoas em greve de fome e 20 pessoas se revezando no apoio. Um grupo defendeu com firmeza manter a greve até o Reitor convocar o Conselho Universitário e votar a implantação das COTAS para negros, brancos pobres e indígenas na UNESP. Outro grupo entendeu que o forte contato realizado com o Governo do Estado gerou boa expectativa no grupo e que deveríamos dar um voto de confiança ao Governo do Estado. Afinal, concluímos que a carta entregue pela Educafro ao Governador Alckmin em 3 de julho de 2012 foi a base e roteiro para a implementação das mudanças na USP, UNESP e UNICAMP abrindo-se para aquilo que elas eram mais contrárias: adoção das COTAS no próximo vestibular a ser lançado em 2013.

Para a Educafro, a diferença principal entre a política de INCLUSÃO do Governo Estadual com a do Governo Federal é que a Federal não criou um programa especifico de bolsa (ajuda de custo), para os cotistas pobres e obrigou as universidades federais a retirarem do seu orçamento os gastos para sustentação estudantil com esta nova e grande demanda.

A assembléia dos militantes da Educafro foi muito tensa e uma proposta de conciliação foi apresentada: apenas iríamos suspender a greve temporariamente, até o dia 9/12/2012. Caso até esta data o Governo Estadual não adotasse um plano de inclusão na USP, UNESP e UNICAMP, que no dia 10 de dezembro, dia Nacional dos Direitos Humanos, retomaríamos a greve de fome. Houve a votação e esta proposta venceu. O relógio já passava das 21 horas quando a greve foi temporariamente suspensa.

Por Frei David Santos OFM

Fonte: Portal Áfricas

Anúncios