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“Estamos em estado de graça”. Foi assim que a presidente da Rede Estadual de Cultos Afro-brasileiros do Piauí, Mãe Eufrasina de Iansã, definiu a sensação por comemorar Dia Nacional da Umbanda ontem (15) na Avenida Marechal Castelo Branco. Pela primeira vez, a data foi celebrada com seu devido reconhecimento. Em maio deste ano, a presidente Dilma Rousseff assinou o decreto que deu origem a Lei N° 12.644 e que instituiu o dia 15 de novembro como Dia Nacional da Umbanda.

A festa foi realizada próximo ao santuário da Iemanjá. Além de celebrar a data, os umbandistas protestaram contra a intolerância religiosa que tem como exemplo mais recente a constante depredação da imagem da Iemanjá que fica às margens do rio Poti, na Avenida Marechal.

“Ao mesmo tempo em que estamos em festa pelo reconhecimento do Dia da Umbanda, uma luta que tínhamos há bastante tempo, estamos aqui pedindo respeito à Iemanjá, que é natureza, é mãe, e precisa ser respeitada. Acredito que as pessoas devam conhecer mais a Umbanda para respeita a nossa religião bem como toda e qualquer manifestação religiosa. Celebrações como essa em público ajudam nisso”, declarou Mãe Eufrasina de Iansã.

A Umbanda chega aos 104 anos de renascimento porque os umbandistas entendem que a religião já existia antes da chegada dos negros ao Brasil, local escolhido ressurgimento da religião.

“O reconhecimento do Dia da Umbanda por parte da presidente da Dilma é uma grande vitória para nós. Por isso, além de celebrarmos a data, devemos continuar nossa luta, dessa vez, pela intolerância religiosa. Hoje é dia de reivindicar nossos direitos, hoje todos nós vamos as ruas para dizer um bastar à intolerância. E, para isso, estamos não só próximo à imagem de Iemanjá, mas, também, próximo ao rio Poti que está morrendo por conta do desrespeito do ser humano para com a natureza. Para nós água é coisa sagrada, água é vida, por isso estamos protestando também contra a morte do rio, temos que sensibilizar os gestores do estado e do município para intercedam pelo Poti”, colocou Assunção Aguiar, umbandista e membro do movimento Coisa de Negro. 
Assunção destaca que todos os terreiros estão em festa pelo reconhecimento nacional da Umbanda. O próximo passo dos adeptos da religião será uma cobrança à Assembleia Legislativa do Piauí e à Câmara Municipal para que referenciem o Dia Estadual e Municipal da Umbanda nos calendários de datas comemorativas do Piauí e de Teresina.

No último mapeamento feito pela Rede Estadual de Cultos Afro-brasileiros, foram contabilizados 480 tendas e terreiros em Teresina, grande parte em fundo de quintais de casas. De acordo com o Pai de Santo Fabrício Marques, o preconceito é o que tem feito que muitos terreiros ainda funcionem de forma discreta em todo o Piauí. “As barbaridades cometidas com a imagem de Iemanjá são provas que esse preconceito precisa ser combatido”, disse.

Tendo em vista os inúmeros casos de depredação da imagem de Iemanjá e o preconceito com as tendas e terreiros da cidade, a Rede Estadual de Cultos Afro-brasileiros pretende solicitar junto à Prefeitura de Teresina o tombamento da imagem de Iemanjá e das casas de santo mais antigas da cidade. “É uma das formas de proteger algo que para nós são patrimônios que não podem ser alvo de vândalos, que muitas vezes são de outros segmentos religiosos”, disse o Pai de Santo.

Fonte: Jornal O DIA

 

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