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O I Encontro das Culturas Negras, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia – SecultBA entre os dias 08 e 12 de novembro, em Salvador e em Santo Amaro da Purificação, consolidou-se como um grande encontro de reflexão e intercâmbio cultural para os países da diáspora africana. Estas nações forma representadas por intelectuais, artistas e pensadores durante as mesas-redondas e nas atividades artísticas realizadas na programação cultural do evento.

O I Encontro das Culturas Negras fez parte do Novembro Negro, projeto do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), e teve toda a programação gratuita e aberta ao público em geral.

Importantes nomes nacionais e internacionais envolvidos com o tema das culturas e das diásporas negras estiveram em Salvador para participar das mesas-redondas e das plenárias do encontro que aconteceram no Pelourinho, na Faculdade de Medicina, e em Santo Amaro da Purificação, no Teatro Dona Canô. Artistas, pesquisadores, intelectuais, militantes, produtores e agentes culturais reuniram-se para debater os temas Culturas negras no mundo contemporâneo, Culturas negras no Brasil Hoje, Carnavais negros nas Américas, Diversidade das Culturas Negras da Bahia, Encontro de Estudos das Culturas Negras e Redes de Intercâmbio e Cooperação das Culturas Negras.

“Atendemos a uma demanda do movimento negro. Esse Encontro se inseriu na lógica do estado, nacional e internacionalmente. Já tivemos um bom primeiro passo. Tivemos uma boa divulgação, uma boa acolhida. As ruas do Pelourinho ficaram bem movimentadas, com um bom número de participantes, principalmente nos debates, que tiveram um bom nível qualitativo. O Encontro de Tambores foi uma atividade belíssima que refletiu a simbologia do I Encontro das Culturas Negras. Essa simbologia de diálogo, de harmonia, de intercâmbio cultural”, disse o Secretário de Cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim.

Mais de 400 pessoas participaram das mesas-redondas

As mesas-redondas foram as principais atividades do I Encontro das Culturas Negras. Durante os debates, intelectuais, estudiosos e agentes culturais de diversas partes do mundo constituíram um momento especial de reflexão, reconhecimento e discussão em torno das peculiaridades e diversidades das culturas negras na Bahia, no Brasil e no mundo. Mais de quatrocentas pessoas participaram dessa série de diálogos que tiveram como objetivo o fortalecimento das relações interculturais entre os países pertencentes à diáspora africana.

“Durante as mesas-redondas pudemos notar o quanto evoluímos em termos de organização negra no aprofundamento da nossa história. Vi jovens pesquisadores e historiadores preocupados com o conhecimento e com o reconhecimento das nossas culturas negras. Os discursos do movimento social negro cresceram muito qualitativamente e isso ficou bem refletido nos ricos debates travados em todas as mesas de discussões. Essa cidade pulsa cultura e quando vejo um Encontro de acadêmicos negros percebo que já avançamos, mas que podemos avançar ainda mais nas políticas públicas de educação nessa cidade que é a mais negra do mundo fora do continente africano”, reflete Arany Santana.

Programação Cultural

Salvador é mesmo um grande caldeirão cultural. Durante todos dias de realização do I Encontro das culturas Negras, atividades artísticas foram realizadas após a série de debates. Em Salvador, a programação começou já no primeiro dia, na quinta-feira (08), com o show Jam Session “Afropercussividades”, que integrou o I Festival de Latitudes Latinas, e o show do Afro Bankoma.

Santo Amaro da Purificação

As atividades do I Encontro das Culturas Negras mudaram de cidade-sede, mas continuaram a todo vapor no Teatro Dona Canô, em Santo Amaro da Purificação, na segunda-feira (12). Com a política de valorização das raízes culturais baianas,  a Secult estende, sempre que possível, as atividades realizadas pela Secretaria para outras cidades do Estado, fomentando a descentralização das atividades em Salvador e democratizando a cultura promovida pelo órgão estatal.

“O nosso objetivo é levar atividades como essa para outras cidades da Bahia, não podemos concentrar a atuação da Secult somente em Salvador. No Carnaval fizemos uma ampla cobertura da festa em Marogogipe, que tem uma singularidade e que por isso foi nomeado patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural – IPAC. Desta vez, levamos o I Encontro das Culturas Negras para Santo Amaro da Purificação, onde temos um Centro de Cultura, numa cidade que fica localizada no Recôncavo Baiano, uma região que tem grande relevância histórica e cultural aqui na Bahia”, disse Albino Rubim.

Números

O I Encontro das Culturas Negras contou com a participação de mais de quatorze mil pessoas divididas entre os palestrantes, músicos, atores, dançarinos, profissionais envolvidos, participantes das mesas-redondas e das oficinas, e público presente aos eventos culturais e às exposições.

Evento deu início à “Década Afrodescendente”

O I Encontro das Culturas Negras marcou o início da “Década Afrodescendente” em Salvador, período estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) após o Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes (Afro XXI) realizado em 2011 e onde foram suscitados debates em torno do racismo e das situações social, econômica e política da população negra mundial na contemporaneidade.  Durante o Afro XXI, a capital baiana recebeu o título simbólico de “Capital ibero-americana dos afrodescendentes”.

“Neste encontro pudemos observar as diversas manifestações da diáspora negra da América Latina. Observamos que tudo converge para o mesmo ponto, que somos iguais, fazemos coisas diferentes, mas que mantemos a mesma raiz. Pude notar também o quanto nós brasileiros e baianos somos referência para eles. São três Américas que precisam e que estão de mãos dadas. Todos comemoramos a reeleição de Barack Obama por reconhecermos o quanto é importante que o líder da maior potência mundial seja negro. Não somente por ser negro, mas por adotar uma postura de reconhecimento das raízes culturais negras. É uma mostra de que somos capazes, de que temos competência para assumir todo e qualquer cargo, por mais importante que ele seja”, disse a diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), Arany Santana.

Fonte: www.cultura.ba.gov.br