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CARTAZ DA MARCHAEm sua 5ª edição, ato que será realizado nesta terça-feira, em Vitória, faz parte de campanha estadual

Kauê Scarim

A Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra chega à sua quinta edição nesta terça-feira – no memorável 20 de novembro, data da morte, em 1695, do líder quilombola Zumbi dos Palmares, quando é celebrado o Dia da Consciência Negra. Organizada pelo Fórum Estadual da Juventude Negra do Estado (Fejunes), a marcha faz parte do calendário dos militantes capixabas desde 2008, quando a entidade lançou campanha contra o extermínio de jovens negros.

Neste ano, a manifestação está marcada com concentração às 8h, na antiga Capitania dos Portos, no Centro de Vitória. O tema do ato de 2012 é “O racismo mata: não fique parado”, remetendo ao problema do grande índice de mortalidade de jovens negros no Estado. Segundo o Fejunes, o objetivo da campanha é denunciar esse fato, no intuito de reverter o quadro de ausência de profunda falta de políticas públicas e ações afirmativas para o setor.

Os índices estaduais mostram que, realmente, essa realidade está longe de ser fácil. A taxa de homicídio de negros do Espírito Santo é de 62,3 mortes por 100 mil habitantes, segundo o Mapa da Violência 2012. Para se ter uma noção, em relação aos brancos, o índice é de 17,1 por 100 mil.

Já em relação aos jovens, ou seja, pessoas entre 15 e 24 anos, o Estado apresenta a gigantesca taxa de 116,7 mortes por 100 mil habitantes. Considerando os dados do Ministério da Saúde que apontam que, no Brasil, 53% dos homicídios registrados são de jovens e, desses, 75% são negros, é possível estimar a alta posição do Espírito Santo no ranking de mortalidade da juventude negra.

Além disso, o Mapa da Violência mostra que a Região Metropolitana da Grande Vitória é a quarta do país em taxa de homicídios, com 68,6 mortes violentas por 100 mil habitantes. Vitória é a terceira capital mais violenta: 67,1 homicídios por 100 mil.

Os índices, principalmente pelo fato de que a maioria dos jovens assassinados encontra-se em regiões da periferia metropolitana, mostram o tamanho da falta de políticas públicas que garantam dignidade para essa população, hoje carente não só de segurança, mas também de empregos, acesso a ensino e à saúde e moradia de qualidade.

Fonte: Século Diário

 

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