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PRESERVAR O MEIO AMBIENTE COMO BEM FUNDAMENTAL É GARANTIR A VIDA!

O candomblé é uma religião alicerçada sobre a natureza e tem a preocupação real em mantê-la e preservá-la. Portanto, convidamos toda a comunidade de Santo para afirmar a nossa ancestralidade e manifestar nosso repúdio à intolerância religiosa e a tentativa de criminalização da imolação de animais nas religiões de matriz africana. Bem como, alertar a comunidade do Engenho Velho da Federação e adjacências sobre a importância de preservação do meio ambiente. Pois sem folha, sem água, não há Orixá, não há Vodun, não há Nkice, Encantado, Caboclo… Sem natureza não há vida!

A falta sabedoria, conhecimento e entendimento para a pluralidade cultural e religiosa desencadeiam no desrespeito, intolerância e perseguição às religiões de matriz africana e seus religiosos. Intolerância está para além da pura ignorância convertendo-se muitas vezes em crimes contra a dignidade religiosa como os previstos na Lei Caó nº 7.716/89 e Art. 140,§ 3º, Código Penal. Injuria religiosa é crime! Para crime há lei e punição! Precisamos lutar contra a violência direcionada as religiões de matriz africana e seus seguidores, queremos respeito!

A perseguição à nossa religiosidade é secular, conseguimos superar a mão pesada do Estado através da delegacia de jogos e costumes, dos comissários responsáveis pela perseguição ao nosso povo. Hoje a nossa perseguição tem sido protagonizada por parlamentares adeptos e líderes de outras religiões que se afirmam defensores da natureza, há, no entanto, uma nítida intenção de seguimentos religiosos fundamentalistas em criminalizar parte de nosso culto. Querem transformar nossas práticas em crime. Nossa Constituição Art. 5º, VI, prevê a liberdade religiosa ,de culto e crença, além disso nossa Carta Magna diz : O Estado é Laico, entretanto esse fato que é desrespeitado por bancadas, partidos políticos e parlamentares fundamentalistas.

A cultura do povo de santo não se baseia e nunca se baseou na crueldade contra os animais, não devemos ser privados de nossos direitos em função dos dogmas de outras religiões. Somos uma religião de paz e respeito e de amor, sobretudo, ao próximo e a natureza. Exigimos respeito! Nossas práticas religiosas não se propagam nem se fundamentam na degradação do meio ambiente. Ao contrário, como toda comunidade tradicional, a relação das religiões afrodescendentes é através da interação e respeito a natureza, sendo esta, elemento ativo em nossos rituais e vivencias. Portanto, nós, povo de santo, somos também protetores do meio ambiente. Devemos nos conscientizar e propagar a ideia de respeito e preservação de nossas matas, cachoeiras, mares e parques. E cobrar das autoridades públicas que cumpram a sua obrigação de garantir a segurança de todos os que interagem com os recursos naturais da cidade de Salvador que estão abandonados. Pela preservação do Parque São Bartolomeu, da Pedra de Xangô que está ameaçada pela expansão desordenada das construções imobiliárias, pela Lagoa do Abaeté, praias e mares, matas remanescentes em nossa cidade, tanto no município de Salvador quando nas ilhas pertencentes à cidade. Nós, todos, devemos preservar e temos o direito e o dever de viver em harmonia com a natureza.

Vida, cidadania, respeito e liberdade são direitos de todos os cidadãos. Homens e mulheres de axé tem direitos e deveres como todos os demais, deveres que são cobrados a duras penas e direitos que nunca foram respeitados de fato. Não precisamos, nem queremos ser tutelados por outros seguimentos religiosos e partidos que se incorporam nas esferas do Estado Brasileiro para praticar a intolerância e extermínio de nossa cultura e religião. O povo de santo tem voz que deve ser ouvida, voz que deve ser respeitada!

Salvador, 15 de Novembro de 2012

Enviado por Vilma Reis
Presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado da Bahia – CDCN

Fonte: Sou Quilombo Rio dos Macacos

 

 

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