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A cultura popular tem destaque na programação organizada pela Fundação Palmares. Cerca de 120 capoeiristas de várias agremiações se apresentaram no chão do estacionamento do Museu AfroBrasil. Para Ademir Ferreira, o mestre Piaba, as apresentações públicas das agremiações “Luta e Conquista”, “Cativeiro” e a Associação das Academias da Zona Norte de São Paulo, são uma oportunidade de “apresentar um povo que ainda está buscando a sua liberdade de expressão!”

Essa diversidade foi representada pela dança “Nhá Maruca”, uma manifestação que está sendo resgatada por integrantes do quilombo Sapatu, do município de Eldorado Paulista, SP. A dança é uma variação do fandango batido, dançada aos pares, onde homens sapateiam seus tamancos de madeira no ritmo da música. Resgate e memória também fazem parte do trabalho do grupo do Vinhedo (SP), Roda de Samba de Dona Aurora, legítimo representante do samba rural paulista, que se apresentou sob chuva . Para TC Silva, construtor paulista de tambores, o processo do grupo da cidade de Vinhedo passou por um momento muito delicado. “Quando Dona Aurora faleceu há quase 25 anos, o samba quase desapareceu nessa comunidade. Em 2003, peguei o antigo tambor, reformei e o devolvi. Depois da volta do tambor Trovão, o povo não para mais de tocar o samba de roda!”, afirma TC.

Na lista dos bens culturais passíveis de serem reconhecidos como patrimônio imaterial brasileiro – como já foram reconhecidos o Samba de Roda do Recôncavo baiano  e  as matrizes do Samba no Rio de Janeiro: Partido Alto, Samba de terreiro e Samba-Enredo, o Samba Rural paulista tem poucos grupos representantes e corre risco de desaparecimento. Para TC, a formação de bons bumbeiros é a chave para manutenção dessa tradição. Diz a letra de um antigo samba de roda: “Se não há bumbeiro bom, não há samba!”.

Por Thereza Dantas/ Fotos: Kley Tassitani

Fonte: Fundação Cultural Palmares