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Um jovem de 17 anos do segundo ano do ensino médio do Centro Educacional IV, em Sobradinho II, região administrativa do DF acusa o professor de filosofia de racismo.

— Em tom alto ele gritou lá na frente: “Oh neguinho, cala a boca”. Aí eu falei que ele me dava aula há dois e que sabia muito bem o meu nome. Aí ele falou que tinha esquecido o meu nome, mas a chamada estava na frente dele.

O estudante registrou um boletim de ocorrência na delegacia da cidade. O professor vai responder por injúria racial.

— Estou me sentindo humilhado, porque ele falou uma coisa dessas em uma sala de mais de 30 alunos. E justamente um dia depois do Dia da Consciência Negra.

De acordo com o coordenador pedagógico da escola, o professor pediu desculpas ao aluno, em público, ainda na sala de aula. Além disso, disse que o conselho escolar puniu o professor com uma advertência por escrito. A família do estudante também vai ser chamada para conversar sobre o assunto.

Ontem, o jovem voltou à delegacia sozinho e fez a denúncia. De acordo com o delegado Alexandre Sales, o caso só será investigado quando a mãe ou um responsável for à DP   confirmar as informações 

De acordo com Secretaria de Segurança Pública, entre janeiro de 2010 e junho de 2012, 120 ocorrências de crimes relacionados ao preconceito foram registradas no Distrito Federal. Somente neste ano, foram 35 casos. A maior parte, no plano piloto (19). 

Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, a Secretaria da Igualdade Racial do DF lançou o disque-racismo. A partir do ano que vem, todo morador do Distrito Federal vai poder fazer as denúncias por telefone e acompanhar o andamento de cada uma delas.

O R7 não conseguiu entrar em contato com o professor denunciado. A TV Record Brasília foi até o colégio em Sobradinho, mas ele não estava no local.
Outros casos

Em agosto deste ano, uma mulher foi acusada de racismo por gritar com uma gari negra que usava o mesmo banheiro que ela em um supermercado no Lago Sul, região administrativa do DF. A vítima, Francisca Genival, relata que uma aposentada de 60 anos não teria gostado de ela ter usado o banheiro.

No mês anterior, um homem foi condenado pelo TJDF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal) a pagar indenização de R$ 15 mil por crime de racismo por ter ofendido uma mulher negra. A ofensa aconteceu dentro de um ônibus, quando o condenado cuspiu no rosto da mulher e a chamou de “negrinha safada”. Testemunhas confirmaram a agressão.

Em maio, o médico Heverton Octacílio de Campos Menezes, 62 anos, foi indiciado por racismo pela Polícia Civil por ter agredido uma bilheteira de cinema em um shopping. Ele já tinha outras passagens pelo mesmo crime. De 1994 a 2009 foram registradas nove ocorrências contra Menezes.

Fonte: R7