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No domingo (25/11), será comemorado o Dia Nacional da Baiana, instituído em 2010. Para comemorar a data, uma série de atividades será realizada durante o final de semana em Salvador. A programação começou no sábado (24), com a realização do 3º Seminário de Formação de Baianas, no Memorial, localizado na praça da Cruz Caída (antigo Belvedere da Sé), das 8h às 18h.

Aberto ao público, o seminário teve entre os palestrantes, o historiador Jaime Sodré, a Yalorixá Jaciara Ribeiro, representantes do Ministério da Cultura e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), além da secretária de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM), Vera Lucia Barbosa.

Hoje, domingo (25), será realizada missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, a partir das 9h. Após a celebração, a população e bandas de samba saem em cortejo pela Ladeira do Pelourinho, Terreiro de Jesus e Praça da Sé até a Praça da Cruz Caída, onde a programação prossegue com um almoço e mais festa com os diversos grupos musicais.

De acordo com a Associação das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares no Estado da Bahia (ABAM) existem na Bahia, cerca de seis mil profissionais (quase três mil em Salvador). São baianas ou baianos do acarajé, além de receptivos turísticos, já reconhecidos como bem imaterial brasileiro, tombado no Livro dos Saberes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde 2005, e da Bahia, através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), desde 26 de outubro de 2012.

Trabalho

O tabuleiro tradicional – também protegido pelos tombamentos do Iphan, do IPAC e pela Lei Municipal nº 12.175/98 – deve ter, além do acarajé e do abará, os complementos vatapá, caruru, camarão seco, salada e pimenta, três tipos de cocadas, bolinho de estudante e passarinha.

A vestimenta deve ser composta por torço na cabeça, bata, camisa ou “blusa de criola” bordada ou de rendas, saia e sandália, quando a baiana trabalha no tabuleiro, e os trajes mais coloridos (cores dos orixás) para a baiana de receptivo, explica Jacilene Monteiro dos Santos, coordenadora executiva da ABAM e baiana de receptivo e venda de mingau. As duas categorias são respeitadas e importantes no mercado: enquanto a quituteira preserva a tradição culinária, a de receptivo e eventos “expõe para o mundo a beleza e a tradição da Bahia”, ressalta Rita Santos.

História

A história da baiana do acarajé começa no período da escravidão, quando os negros chegaram à Bahia , a partir do século XVI, com seus costumes e religião. O acarajé e o abará, principais produtos do tabuleiro da baiana, eram, ao mesmo tempo, alimentos para o corpo e para o espírito, preparados nos terreiros de Candomblé para cultuar os orixás Iansã e Xangô.

Já no final do século XIX, as mulheres tinham a permissão dos senhores para sair no final do dia, com o tabuleiro na cabeça (protegida por um torço de pano da costa), para mercar os bolinhos, feitos de massa de feijão fradinho descascado, cebola, gengibre e camarão. Através de um canto tradicional, iam chamando o povo para comprar e comer, usando a expressão em tom de canto “acará jê” (de akàrà, bola de fogo, e jê, vender).

Depois da abolição, em 13 de maio de 1888, a tradição continuou. Até meados da década de 70 do século XX, as baianas mantinham o costume de vender o produto somente à tarde e à noite. Depois que o acarajé caiu no gosto do turista, passou a ser um dos cartões de visita da culinária baiana e a ser vendido durante o dia.

De Salvador,
Ana Emília Ribeiro
Com informações da Secom-BA

Fonte: Vermelho