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indio-bandeira-do-brasilÊ Tumbinanbá

Caboclo justiceiro

Que em seu andar

Leva o conhecimento

Traduz em respeito

Bate no peito

Não deixa seus filhos ao relento

 

É nos terreiros

Que nos ensina o respeito

Produz conhecimento

Nos ajuda a viver

 

As  folhas sagradas

A caça, a dança

E no seu olhar

Na sua fala

Nos mostra a esperança

Por: Oluandeji

Tupinambás: a primeira impressão dos índios do litoral paulista

Indios Tupinambas
Não existiu em nenhum processo de colonização um povo que não fosse dizimado pelo colonizador como foram com os nossos silvícolas.
Até hoje é assim.

Sabemos que o Brasil não foi “descoberto”. Segundo os sambaquis encontrados em nosso litoral, por aqui já viviam homens no ano 75 da era cristã. Foi por conta da ganância e da ignorância dos colonizadores que nossa descendência indígena acabou. Não existiu em nenhum processo de colonização um povo que não fosse dizimado pelo colonizador como foram com os nossos silvícolas. Até hoje é assim.

Em 1553, o beato José de Anchieta nos dá uma visão mais detalhada do que eram os índios que aqui habitavam. O que parece estranho para nós agora, na época também era estranho para os colonizadores e os índios. Foi sem dúvida um choque a tentativa de implantação uma cultura nova, uma cultura invasora, assim como é a do meio ambiente elitizado.

Os Tupinambás tinham língua de tronco Tupi e assim Anchieta os descreve: “Diante dele, estava o Tupinambá silvícola. Feliz, na sombra de seu labirinto – a flora, nos elos de seu cativeiro – a fauna. Canibal da era neolítica, em pleno delírio cromático, em um país de fogo e de sangue. O índio trazia o sexo apenas velado pela tanga, penas amarelas, grinaldas ao cocoruto, manilhas de outras, policromadas, nos pulso e tornozelos, ramos de búzios ao pescoço, tambetas de osso, de âmbar ou de quarto na beiçola, pingentes nas orelhas, adornos de barro cosido na face esburacada.

Abaixo dos joelhos, como franjas, pendiam os taparucás vermelhantes e por todo o corpo depilado, sinuosamente, ondeavam lavores negros ou rubros, feitos à tinta de genipapo ou de urucum. Outras vezes, sob a plumagem dos cocares, prendia às nacas de uma roda de penas cinzentas, longas penas de ema. Vagava por brechas, aldeias e rios, ä mão esquerda, o arco derrubador de feras, ä direita, o maracá, evocador de mortos, sepultados nas igaçavas com seus instrumentos de trabalho. Os mais belicosos exibiam a tangapena dos sacrifícios, pendentes na nuca, ou infindáveis colares de 3000 dentes-os dentes dos inimigos devorados, onças ou homens.

Impulsivo e rancoroso vivia o selvagem para nadar como os peixes no abismo, giram como os pássaros sobre rochas e boqueirões, lutar como jaguares no deserto. Nômade, corre; homem-marinho flutua; homem-felino retalha. São livres todos os apetites, comuns todas as coisas no regime da tribo. O canibal tem a pele rija do tapir, a dissimulação do tatu, rastejante no subsolo, ou da cobra verde, enroscada na folhas, o grito de araponga e o salto do bugio. Instintivamente respira a distancia o cheiro da caça, do fogo e do mel. E sua fome não espera, o seu ódio não perdoa.” (SOARES, 158 apud VIEIRA, 1929:33-34)

EZEQUIEL DOS SANTOS