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nagaFim de ano, me lembra Yemanjá, a
Rainha do MAr. Aquela que, dentro do panteão Afro, é quem tambem comanda nosso Ori, nossa cabeça. Cultuada de diversas formas no candomble e na umbanda, é sem dúvida uma das mais importantes divindades Afro.
Fim de ano, me lembra Yemanjá e oferendas, ou seja oferendas à Yemanjá. As oferendas são as formas que nós, os adeptos do candomblé temos para pedir, agradecer, ou simplemente harmonizarmos com nossas energias.E é nessa época, fim de ano, que a tradição nos leva a ofertarmos à Yemanjá seus presentes favoritos.Segundo nossas lendas, Yemanjá, vaidosa que é, gosta de perfumes, espelhos, sabonetes, maquiagem, bijouterias, flores, perfumes etc, e para que seus presentes cheguem até ela, ornamentamos barquinhos com muitas fitas, rosas, palmas e depositamos dentro das pequenas embarcações seus mimos preferidos, não esquecendo nunca de nossos pedidos, acompanhados com uma boa garrafa de champanhe.Fim de ano, dever cumprido, sonhos, esperanças, fé.Os barracões se unem em torno da casa de Yemanjá, o misterioso mar.Entoamos nossos cânticos, suplicamos nossas bençãos, pulamos sete ondas, clamamos à Rainha sua presença, sua misericórdia, sua paz!
Fim de ano, época de reflexão, e algo me corrói: Como estará pensando Yemanjá, ao deparar no dia seguinte com suas praias? Sim, porque as “varandas” da casa de Yemanjá estarão repletas de flores murchas, copos quebrados, garrafas de champanhe, barquinhos naufragados, sacos plásticos, entre tantos outros dejetos ali depositados, ou que o mar devolveu, não que Ela não aceitara, mas, porque a maré trouxera de volta. O que pensará a ” dona das Cabeças”, ao ver dentro de sua moradia barquinhos à deriva, carregados de materiais que com certeza poluirão? Será que Nossa Mãe, aceita de bom grado nossas oferendas, ou nos mostra a cada Tsunami, a cada ressaca, a cada tempestade a sua revolta? Ou será Mãe Yemanjá, tão benevolente que diante de nossa fé, nos perdoará de tal pecado?
Sim, Yemanjá é mãe. Boníssima. Severa, quando necessário, mas, boníssima! Senão, o que seria da humanidade, quando descobriu que através das águas de Yemanjá, poderia conquistar , e conquistar e conquistar…A princípio conquistar alimento, em seguida, conquistar espaços, territórios e mais alimentos, e nessa conquista a humanidade segue invadindo , adentrando à casa da Rainha do mar, sem pedir licença, matando seus súditos sem dó nem piedade, por simples deleite, travando batalhas submarinas , onde o que resta são carcaças de ferro e aço, que a maré não pode devolver.FAzendo de suas águas ambiente imprórpio aos que ali nasceram. MAs, a humanidade quer conquistar. Precisa conquistar poder! E nessa busca arranca das veias de nossa Deusa seu sangue negro, vindo lá das profundezas, depositado alí desde que Ela surgiu. E seu sangue é vertido, e por ele , os homens vertem seu proprio sangue.
O que pensará nossa Mãe? Nós, os fiéis devotos de Yemanjá, somos uma parcela tão pequena da humanidade, mas somos nós, que junto com os objetos, depositamos o principal alimento de Yemanjá; a fÉ.
Fim de ano: Reflexão.
Odoyá! Senhora das Cabeças, nos mande uma resposta.

Por: Mam’etu Ngangalesi

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