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O fogo, que começou por volta das 10h30 desta quarta-feira, 9, na área da Roça do Ventura, templo afrorreligioso Zo Ogodo Male Bogun Seja Hunde, em Cachoeira (a 110 km de Salvador), no Recôncavo baiano, já consumiu cerca de 50 árvores e plantas sagradas do local.

Segundo o ogã Anderson Marques, até ontem à noite já haviam sido queimados mais de 600 metros da vegetação. Jaqueira, sucupira, umbaúba, mangueira, licuri, são-gonçalinho, coqueiro e cajueiro, além de plantas usadas nas obrigações religiosas e como ervas medicinais, foram destruídas pelas chamas.

Para evitar que o fogo chegasse à sede e outras construções do sítio religioso de tradição Jêje Mahin, a comunidade  usou folhas sagradas, pás, enxadas,  garrafas plásticas e baldes com água, além de dois carros-pipa da prefeitura. Mas há meses não chove na região, e a vegetação seca fez com que o fogo se alastrasse, atingindo até a jaqueira consagrada à divindade ssansú.

A PM foi acionada, mas não apareceu. O Corpo de Bombeiros, que só chegou às 18h30, após intervenção  do Ministério Público, disse não ter como  trabalhar no escuro. O combate feito pela comunidade foi suspenso às 22h, mas recomeça  hoje pela manhã com a ajuda dos bombeiros. Em Cachoeira, não há uma unidade da corporação, a cidade é coberta pela de Feira de Santana.

O secretário municipal de Cultura, José  Bernardes, disse que um tanque foi carregado de água para molhar a vegetação não atingida, por precaução. “A mangueira do carro-pipa é curta, não atingia a área toda. Tivemos muitas dificuldades”, disse.

Festa e suspeitas 

O ogã Edvaldo de Jesus Conceição, Buda, disse que há muita gente na Roça porque, domingo, haverá a Festa do Boitá (procissão do vodun), a maior comemoração religiosa do local. Disse também que hoje será registrada uma queixa na Delegacia de Cachoeira, porque há suspeitas de que o incêndio foi criminoso.

“Moradores viram dois adolescentes ateando fogo na vegetação. Daqui a quatro dias, receberemos convidados ilustres e representantes de vários templos. A intenção era atingir o terreiro. Além disso, o julgamento sobre a invasão ocorrida na Roça será em 24 de abril”, frisou.

Fonte: A Tarde/UOL

 

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