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Depoimento de DEBORA SILVESTRE MISSIAS ALVES de São Paulo

Ainda estou indignada! Hoje, sexta-feira, 11, às 9h30, ouvi pela primeira vez “você não sabe com quem está falando!” por causa da minha cor, dentro de um consultório médico particular

Além da consulta, paguei pelo vexame de ter sido tratada como uma analfabeta funcional. Recebi insinuações de que não tinha dinheiro, e fui lembrada ao menos umas “500 vezes” que tenho a pele negra. Não adiantou estudar em escolas particulares, falar outros idiomas, tocar piano desde os cinco anos, conhecer outros países, ser formada pela USP (Universidade de São Paulo), ser pós-graduada, editora, ter casa própria, carro zero, enfim, família de “comercial de margarina”. Ele nada sabia de mim, só conhecia minha cor.

Eu poderia, como tantos outros, ter ficado quieta, engolido a afronta, mas, já no fim da consulta, ele disse: “Você não sabe com quem está falando! Eu sou professor, doutor formado pela USP.” Respondi com toda calma: “pois bem, então somos colegas de universidade; também sou de lá”. Incrível como o discurso mudou, ao contrário da minha indignação.

Hoje mesmo solicitarei aos órgãos competentes que o lembrem deste detalhe. Para o azar dele, naquele dia, a “negrinha” que estava passando pela consulta não deu chance de passar por humilhação maior por ter tido oportunidade de ter acesso ao mesmo espaço sociocultural que ele. Mas, e os demais pacientes que não tiveram a mesma oportunidade que eu? Se essa atitude configura, ou não, crime de racismo, eu não sei. Porém, sofri, sim, danos morais. Fui vítima de preconceito por um prestador de serviço que se coloca acima do bem e do mal. Sim, um prestador, pois não estava ali de graça, mas amparada por um convênio médico.

Espero que essa história não tome maiores proporções, porém, desejo que ele seja informado sobre minha reclamação, e assim, aprenda a ter mais cuidado ao lidar com pessoas que ele desconhece. Ele não tem o direito de insultar um paciente por qualquer motivação, mesmo que fosse uma pessoa desprovida de cultura e dinheiro.

Incrível que isso ainda aconteça, mesmo em 2013, em pleno século 21.

Fonte: BOL Notícias

 

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