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Uma coisa positiva proporcionado pela luta em prol das cotas nas universidades estaduais paulistas e a recente aprovação dos direitos trabalhistas dos trabalhadores e trabalhadoras domésticas foi que o pensamento reacionário e elitista de segmentos da classe média e elites vieram a tona, expressos pelos meios de comunicação hegemônicos.

O sentimento elitista veio com força principalmente com a aprovação da PEC dos direitos dos trabalhadores domésticos. Destaco aqui a o artigo publicado na edição do dia 1o. de abril da Folha de S. Paulo (clique aqui para ler), com direito a chamada de capa, assinado por José Henrique Mariante. É Interessante a classificação que ele faz da classe média incomodada com o “preço” que está “pagando” pela inclusão: “Essa estreita faixa de gente, mais educada e esclarecida, sempre ansiou por um país mais justo, moderno e melhor. Esse dia chegou, só que de maneira bem diversa da imaginada.”

Será que este país mais justo inclui a mobilização deste mesmo segmento na famosa “Marcha com Deus, pela Família e Liberdade” em apoio ao golpe militar de 1964 que mergulhou o pais em uma ditadura que durou 21 anos? E será que esta gente “mais educada e esclarecida” é a mesma que gasta 10 reais para comprar um exemplar de uma certa revista semanal que inventa entrevistas e tem, entre os seus colunistas, um que chama a filósofa Marilena Chauí de “vagabunda”? Ou ainda que compra o jornal em que foi publicado este artigo que publica uma ficha falsa do Deops da presidenta Dilma Roussef?

“A revista Veja, também preferência deste pessoal “esclarecido” e que lutou por um país mais “justo” é mais direta. As duas capas colocadas acima, em momentos diferentes – a das eleições presidenciais em 2010 e a aprovação da PEC dos trabalhadores domésticos – deixa nítido a quem ela se dirige. Enquanto que a primeira capa afirma que “ela pode decidir a eleição” (ela- a empregada doméstica), a segunda, pós aprovação dos direitos dos trabalhadores domésticos, diz “você amanhã” (você – um homem branco de classe média dando conta de afazeres domésticos). Entretanto, justiça seja feita, a capa da Veja foi mais civilizada que o artigo da FSP. Coloca abaixo da chamada: “As novas regras trabalhistas das empregadas domésticas são um marco civilizatório para o Brasil – é um sinal de que em breve as tarefas domésticas serão divididas entre toda a família”.

Se for esta mesma gente, não é de se admirar que estão indignados – apenas que este “esclarecimento” e esta “ansiedade por um país mais justo” não inclui o pessoal do andar de baixo – ou ainda que este pessoal não lotasse o elevador de ascensão social, continuasse na pobreza com dignidade.

  

Fonte:  Revista Forum 

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