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Mavambo foi fonte de estudos do Sergio Adolfo, mas não sendo muito feliz por conta da escarces de fontes bibliográficas, não encontramos nada em seus estudos relacionado ao Nkisi Mavambo. Mas pesquisando sobre os povos do grupo Ambó ou Ovambo, povo esse de origem Bantu, encontro na palavra Ovambo uma semelhança na fonética com a palavra Mavambo, mas a coincidência não para por ai, ela também adentra tanto pela historia desse povo quanto na historia do Kongo.

O grupo Ambó ou Ovambo ocupa um extenso território ao sul de Angola. De acordo com CARLOS DUARTE, a origem do termo “Ambó” perdeu-se no tempo, mas, foram designados pelos Donga, os “Ova-Donga” (povos localizados a norte da Namíbia), que a forma correta do termo “Ambó” é “Ova-Mbo”, que foi sofrendo alterações até chegar a Ambó. Entre as suas populações, os Ambó da região da Angola, o subgrupo que mais se destaca, é o Kwanyama (Cuanhama) e o Kwamatwy (Cuamatui), pelo valor de guerreiros e pelo poder econômico adquirido.

A família Ambó (Ova-Mbo), ou seja, os subgrupos do lado da Namíbia (antigo sudoeste africano) se encontram os Kwambi, Onga, Gandgela, Lolocktsy Gunda e Kwaluty; os do lado da Angola encontram os Kwamatwy, Dombola, Evale, Kwanyama e Kafima.

Mesmo que o grupo Ovambo seja descartado por muitos leitores, como origem da palavra Mavambo ou sendo os povos que cultuaram a Divindade Mavambo, decidimos prolongar, acrescentamos a palavras MAVU, cujo significado é barro ou terra, que encontramos no Dicionário Kimbundu-Português da Fatima Katulembe, como uma das origens. Pois essa palavra é facilmente encontrada nas Mimbu desse Nkisi.

A palavra Mavambo, como pode observar a sua fonética, é muito próxima da palavra Ovambo do grupo Ambó ou Ova-Mbo. E decidimos analisar se sua origem também possível encontrar na cultura Kongo e estudarmos a origem da palavra Mavambo nesse

território de linguagem totalmente diferente as do povo Ova-Mbo, cuja linguagem é o Kikongo, para chegarmos á uma conclusão, se descartamos ou não, o conceito de Ova-Mbo ser uma das principais origens da palavra Mavambo.

No Reino do Kongo, é encontrado títulos de chefes, eles são Mani, Ntotila, Mwene e Ntinu, mas aqui focaremos apenas no titulo Mani como proposito de nossas pesquisas.

Segundo Patrício Batsikama “no pensamento Kôngo, o Senhor de Mbânza- Kôngo é, antes de mais, um chefe, representante dos Ancestrais e eleitos pelos Makôtas mais velhos” (2010: p;106,107).

De acordo com Batsikama, MANI deriva de: mânika: estender, pôr no teto, pôr cima ou expor algo a vista (dos clientes, por exemplo); mânina: findar, esgotar; mânisa: terminar, acabar uma obra, acabar completamente uma obra.

O titulo Mani indica que o seu portador é um chefe, uma pessoa indicada a resolver os problemas jurídicos da comunidade ou qualquer outro problema dos cidadãos da comunidade e representante dos ancestrais que são um dos principais governante da comunidade.

De acordo com Jan Van Wing (citado por Patrício Batsikama) escreve no seu livro Etudes Bakongo I que, até no século XIX, os Ambundu vinham resolver os problemas jurídicas e/ou outras discussões em Mbâzi’a Nkânu, a capital do NTÔTIL’A KONGO (2010: 107).

 

No Kongo é comum ajustar as partículas MA de MANI ou NE de MWENE, ao nome da aldeia com o proposito de se conhecer o responsável pelo território. Como por exemplo: Mani-Soyo, Mani-Mpumbu, Mani-Kongo e etc.

 

Segundo Itana Mutarere, fez um resumo (na integra) de suas pesquisas sobre Mani Njila e Mani Kongo, contidas no livro do Tata Nkasuté, Estudos da Mitologia Bantu, pág 34 a 36.

 

“MANI NJILA – Senhores dos Caminhos. No Reino de Matamba e nas regiões próximas, quando os grupos viajavam em busca de caça ou melhor habitat, dois Chefes eram designados para cada grupo. Um seguia na frente ( o Mussenga) e o outro na retaguarda (o Kikinda); ambos levavam pós, ervas, amuletos, com os quais encantavam as feras protegendo o grupo. Tinham como hábito religioso fazer colares de ovos de perdiz, os quais eram confeccionados sob grande feitiço para lhes aumentar a coragem. Aquele que encontrava um coelho, uma lebre, uma codorniz, ou qualquer outro animal tímido no caminho, era promovido naquela campanha. Além disso, podia usar um tapa-sexo confeccionado com o couro do animal e enfeitar-se com as penas. Suas armas mais poderosas eram o feitiço, venenos nas setas de suas flexas, alfanjes, facas e lanças de ferro. KONGO NJILA – títulos reservado aos grandes guerreiros do Kongo. apresentavam-se nus, porém os mais aguerridos usavam peles das feras que dominavam e enfeitavam-se com lindas penas de aves de bom augúrio. Muitos eram horrivelmente deformados e pintados. Suas armas eram: arco e flexas, espadas, facas, alfanjes de ferro ou madeira e grandes escudos. A destreza na luta, a disciplina e extrema coragem garantiam a proteção do Mani-Congo”.

 

Como podemos observar nos parágrafos referentes ao titulo de MANI, no Reino do 22Kongo, nos leva a uma porcentagem maior do povo Ova-Mbo ser uma das origens do Nkisi Mavambo, principalmente o paragrafo explicando o ajustamento das partículas MA de MANI, onde podemos observar essa partícula ajustada na palavra Mavambo, e os parágrafos resumidos pela Itana Mutarere sobre Mani Njila e Kongo Njila, que fortificou mais a sua origem.

 

Mavambo = Ma-Vambo = Mani-Vambo = Ova-Mbo = O Senhor do Caminho que liga os povos Ova-Mbo aos povos do Kongo, ou seja, o Senhor do Caminho que liga Angola a região Kongo.

 

Mavambo é conceituado um Nkisi dos caminhos, guardião das aldeias e caminhos, com forte ligação com os Ancestrais e Antepassados, está ligado ao fogo, ao barro, a terra, principalmente com Mukumbi. Também é detentor do poder jurídico, da guerra e da caça.

 

 

Tata Kitalehoxi, descendente da Ndanji Goméia.

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