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WW203Hoje acordei cedo e tomei café com minha família, me preparei e saí em seguida para o treino de capoeira, no caminho algumas crianças negras entregando panfletos de condomínio para a classe média com uma foto de sorridentes crianças loirinhas na área infantil do empreendimento, um pouco mais adiante outra criança negra pé descalço me parecendo anêmica tentando vender balas. São realmente cenas que às vezes são invisíveis àqueles que não querem enxergar a realidade da vida.

Alguns semáforos a frente um senhor negro de uns 60 anos vendendo chocolate aos carros e logo pensei:

_ Como é triste uma pessoa com 60 anos ainda tendo que trabalhar vendendo produtos.

Quando cheguei à fazenda Roseira (Ultima fazenda a libertar seus escravos), percebi que o caminho até o treino de Capoeira me mostrava muitas coisas que deveriam ser avaliadas e me senti bem ao perceber que eu estava ali de algum modo resistindo a todo esse processo da história do Negro, quero dizer estava contribuindo para manter viva a tradição de um povo sofrido que veio sequestrado do continente africano e que inundou este país com seus saberes, sua cultura, sua religião, seu idioma e muito mais…

Ao entrar no treino nosso camarada graduado Rafael Costa, já puxou uma cantiga sobre abolição e me lembrou de que o negro ainda vive escravo, pois a Princesa Isabel declarou liberdade, mas ninguém deu oportunidade de trabalho, educação, saúde, moradia aos “libertos” e assim começou um processo de exclusão que parece não ter fim.

Ao final do treino, me despedi dos amigos e ao longe embaixo das árvores estavam ali conversando o pessoal do Jongo que é também uma peça importante na resistência do negro no Brasil e mil histórias se passaram pela minha cabeça e lembrei-me do dia de ontem onde organizamos em nome do Mandato do Vereador Pedro Tourinho (PT) em conjunto com vários grupos do Movimento Negro e estudantes um debate sobre Pimesp e as Cotas.

Mesa debate com Mariana Assis, Silvio ( PResidênte do Instituto Luiz Gama), Vereador Pedro Tourinho (PT), Deputado Marcolino (PT) e Professores da Unicamp

Mesa debate com Mariana Assis, Silvio ( PResidênte do Instituto Luiz Gama), Vereador Pedro Tourinho (PT), Deputado Marcolino (PT) e Professores da Unicamp

Fica nítido que é necessário recuperar de forma absoluta toda essa história de exclusão que os negros viveram e transformar esta questão em bandeira de Luta, bem como foi à fala da Mariana Assis do Pró Cotas da Unicamp, pois é evidente que essa reparação com a base nas políticas de Cotas é um início para a transformação onde teremos em foco a igualdade em todos os sentidos.

Para finalizar, gostaria de incentivar as pessoas que debatessem sobre o racismo e as formas de inclusão para que possamos enfim vivenciar de forma plena uma sociedade mais humana e igualitária, onde se respeite pessoas, crenças e cultura.

Por: Oluandeji