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600626_453398944746486_1180033284_nO ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi homenageado no início da noite desta segunda-feira (27) na cerimônia de comemoração do Dia da África realizada pela Prefeitura de São Paulo. Ao lado do prefeito Fernando Haddad, em um ato alegre que contou com duas apresentações culturais, foi criado o Grupo de Trabalho Intersetorial sobre Educação das Relações Étnico-raciais, para a implantação da Lei 10.639 a nível municipal. Esta lei foi sancionada nacionalmente pelo ex-presidente Lula no início de seu mandato e estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura africana nas escolas.

Em seu discurso, Lula lembrou das dificuldades enfrentadas para a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e a grande vitória que ele representou. O ex-presidente falou dos avanços feitos nos últimos anos, mas ressaltou que muito ainda precisa ser feito. Ele também falou da dívida história do Brasil com os países africanos: “Uma dívida que não pode ser mensurada em dinheiro, tem que ser mensurada em solidariedade”. Lula se disse ainda muito feliz com a reação da imprensa brasileira à visita da presidenta Dilma Rousseff à África. “Parece que a imprensa descobriu a África”, afirmou.

Sobre o papel do Brasil nas relações com a África, o ex-presidente ressaltou que o modelo colonizador implantado em quase todos os países do continente não pode voltar a existir. “As empresas brasileiras têm que estabelecer uma política de associação, de parceria”, afirmou ele. Lula defendeu ainda que as empresas brasileiras devem colocar negros africanos em cargos de chefia e não fazer como as empresas estrangeiras faziam no Brasil em seus tempos de sindicato. “Quem pode ter uma relação diferente com a África é o Brasil”, ressaltou.

O prefeito Fernando Haddad falou que o dia de hoje comemora muitas coisas: “a criação da SEPPIR, a Lei 10.639, a Unilab, as cotas, o Prouni”. O prefeito ressaltou ainda que é preciso criar uma consciência da história negra no Brasil: “O processo histórico faz com que não tenhamos noção do que é ser negro no Brasil”. Haddad destacou que a política tem um papel fundamental na construção dessa consciência. “Desejamos viver a paz dos combatentes. Dos que lutam por uma vida mais justa para todos”, finalizou.

Após a fala do prefeito, foi entregue ao ex-presidente uma placa em reconhecimento por sancionar e implementar em sua gestão a lei 10.639. Neste momento o Secretário Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Netinho de Paula, quebrou o protocolo e chamou ao palco a ex-ministra Matilde Ribeiro e presenteou Lula com um instrumento percussivo.

(Instituto Lula)