Tags

, , , ,

“Assim que é!! Subúrbio pra morrer, vou dizer
E agora se liga, você pode crer
Todo cuidado não basta, porque
Subúrbio pra morrer, vou dizer
Confira de perto, é bom conhecer…”
(Trecho do Rap “O trem” de RZO)

LUCIADesqualificação!?!? É isso mesmo?? Pois, coisas lógicas e práticas MOSTRAM nossa história. São prédios de Patrimônio Histórico tombados para contar a história??? Mas que história?? Qual A HISTÓRIA?? E qual história VERDADEIRAMENTE VAMOS BRADAR?? A dos “senhores/barões/coronéis” que moraram nas Casas Grandes ou a do NEGRO ESCRAVIZADO, QUE ACENTOU OS TIJOLOS NA CONSTRUÇÃO DO TAL “PATRIMÔNIO” e como forma de pagamento RECEBEU O AÇOITE!?
Mulher que sou, pergunto: que “Patrimônio” se quer guardar???… das NEGRAS ESCRAVIZADAS, e que foram VIOLENTADAS? DIGO VIOLENTADAS por esses senhores e seus filhos “senhor/barão/coronel”. Não preciso ir muito longe para dizer que Engenheiro vai à escola, faz faculdade e se forma Doutor… e o “sinhô da roça” que trabalha e faz a mesma coisa que ele, desviando o curso do rio para sua plantação com uma única ferramenta: sua enxada, a mesma que dá o sustento a toda a sociedade, seja ela opressora ou oprimida. No entanto, este mesmo “sinhô da roça”, por não ter estudos, diplomas e títulos não pode assumir um espaço político, sendo encarado por esta sociedade hipócrita, racista, classista, elitista, machista, meritocrática, xenofóbica, homofóbica (e outros “istas” e “fóbicos e fóbicas” que existem), como um ser incapaz de fazer política e deficiente de sabedoria.
E quando parto para as discussões políticas referente a minha comunidade percebo que a ideologia acima continua da mesma forma e com os mesmos conservadorismos. Mesmo diante de tanta luta e de tanto suor, percebo o quanto o discurso de alguns sobre empoderamento pelos mais “fracos e oprimidos”, se esvaziam, pois utilizam os próprios mais “fracos e oprimidos” para a garantia do sustento da sociedade e não as empoderam de fato e de direito. Afinal, eles, nesta concepção de sociedade, garante a estabilidade da burguesia, elitista, branca, racista e homofóbica.
Está com desqualificação… para cima de mim e da minha comunidade então!!??
Esse é um método da burguesia: de desqualificar, desclassificar e deslegitimar o que o POVO LEGITIMA.
Sou negra, Sou mulher!! E de onde brada a minha voz, sei que esse processo da eloquência do “embranquecimento”, atinge o meu povo que está a margem sem condições dignas, pois essa eloquência verbal e essa narrativa de estatística, só faz garantir seu emprego que precisa do meu povo, meu povo LGTB, meu povo que vive sem emprego, meu povo que vive na exclusão, meu povo negro marginalizado, em nome do bem estar para a garantia dos SEUS direitos e STATUS SOCIAL. Se não falarmos na linguagem do nosso povo Travesti, Lésbico, Transexual e Gay, que hoje se encontram moradores em situação de rua, vivendo às máscaras de agentes químicos, sob o preconceito e à margem da sociedade, nós não atingiremos o nosso objetivo maior que é TRASNFORMAR ESTA REALIDADE.
E hoje esta comunidade homossexual CLASSISTA vê o outro como um indivíduo incapaz de sair da sua condição que hoje se encontra e anteriormente construída pela falta de emprego, pela discriminação referente a sua orientação sexual, pela exclusão escolar, exclusão familiar, e outras exclusões permitidas pelos PADRÕES SOCIAIS. Padrões Sociais estes que, não permitem que as pessoas tenham RESPEITO e RECONHECIMENTO por aquelas e aqueles que contribuíram para esta história de luta do Movimento LGBT em nível Municipal, Estadual e Federal.

Sem mais,

Lúcia Castro
Mulher, Negra, Religiosa de Terreiro de Matriz Africana, Lésbica,
moradora de ocupação e na luta pela moradia,
fundadora do Grupo Aos Brados!! “A Vivência Digna da Sexualidade”,
ex-Conselheira do Orçamento Participativo de Campinas no seguimento Homossexual,
articuladora da implementação do 1º Centro de Referência LGTTB do Brasil na cidade de Campinas, colaboradora na criação da bandeira “Lésbicas e Lesbianas”,
Periférica, Obesa, Disléxica, Motorista, Caminhoneira, Enfermeira,
Militante Política e com Formação Social-popular na Construção de Minha História.