Hoje acordei, estava cansado e feliz. Eu ia para o segundo dia da III Conferência da Cultura em Niterói. 800 pessoas estavam reunidas neste final de semana, no tradicional Liceu Nilo Peçanha da minha cidade Niterói.

Estávamos juntos para elaborar um plano de cultura para o município que contemplasse a todos que vivem na cidade. Me encontrei com artistas plásticos, animadoras culturais, professoras, capoeiristas, músicos clássicos e de rua, todo mundo em fim, de todas as raças e religiôes, de culturas e modos de ver a cultura diferentes. A diversidade era total. Não estava feliz só por minha cidade, estava feliz pelo meu país.

Acabo de chegar em casa cansado, e antes de dormir, dou uma checada no meu face e me deparo com a notícia que desaba o meu mundo, levanto da cadeira e sento no sofá, não tenho pernas. Acabo de ler no Afropress que Mãe Yá Mukumby, Candomblecista e líder do Movimento Negro de Londrina, no Paraná, fora assassinada à facadas, junto com a neta e sua mãe de 86 anos.yá

Assassinada por uma pessoa enfurecida,  vizinhos relatam que os motivos talvez sejam intolerãncia religiosa, pois segundo relatos publicou a Afropress, o assassino Diego Ramos Quirino, 30 anos, era evangélico e dizia estar “com o diabo no corpo”.(vejam a matéria completa na aAfropress).

Ainda segundo a matéria publicada, ” ela foi responsável por tornar o Candomblé respeitado em Londrina. “Acho que fiz minha parte, sim. Fui ousada ao encarar o preconceito de frente. Sou macumbeira porque macumba é um ritmo que se dança aos orixás”, costumava dizer.”

Nós da Mamapress e toda a rede alternativa de mídia das religiões de matrizes africanas e do movimento negro, vêm a tempos alertando sobre a escalada da intolerância e ódio religioso em nosso país.

Ya Mukunbi, mãe e neta

Ya Mukumbi, mãe e neta

Mãe Yá Mukumby, poderia me explicar porque tanto ódio? O que está acontecendo em nosso país que só nós vemos? Povos Negros sendo caçados que nem bichos?
Com minha companheira reflito sobre uma discussão, que aconteceu hoje no final da noite no encontro de cultura que até então havia transcorrido tão bem e sem incidentes, apesar de discussões acaloradas, necessárias e essenciais na área de cultura. Uma Mãe de Santo ao defender a construção também de um templo para as religiões de matrizes africanas no “Caminho Oscar Niemeyer”, para que houvesse igualdade com os templos projetados para os católicos e evangélicos naquele caminho da orla de Niterói, um jovem estudante, destilando ódio, gritou se é para isto que se tenha um templo Rastafari para se fumar maconha…
Grupos evangélicos fundamentalistas expressam mais claramente seu racismo e sua intolerãncia religiosa, mas eles estão no meio da sociedade. A sociedade brasileira precisa se encarar, se deseja acabar na raíz este clima de medo e ódio.

Fonte: http://mamapress.wordpress.com/2013/08/05/deus-dos-ceus-que-mortalha-e-essa-que-se-abate-sobre-o-nosso-povo-mae-ya-mukumby/